Anderson Souza,
do Clicabrasilia
anderson.souza@clicabrasilia.com.br
A greve dos funcionários da Companhia Energética de Brasília (CEB), iniciada na última quarta-feira, já resulta em vários problemas em diversos pontos do Distrito Federal. Um dos locais atingidos pela falta de energia elétrica foi o Conic, aonde comerciantes da área vêm tendo prejuízos desde a última quinta-feira. De acordo com a companhia, os grevistas não estão mantendo o mínimo de equipes no atendimento, que seria 30%. Das 71 equipes, apenas dez estariam trabalhando. Com isso, cerca de 300 atendimentos por dia deixam de ser feitos.
Enquanto isso, no Conic, apesar do ocorrido, alguns comerciantes continuam trabalhando imersos na escuridão, arrumando um jeitinho para que os prejuízos não sejam catastróficos. Ontem, alguns trabalhadores tiveram que usar velas para clarear o ambiente de trabalho, outros tiveram que atender aos clientes do lado de fora da loja, onde havia o mínimo de iluminação possível.
A funcionária de uma clínica odontológica do local, Ana Paula, diz estar indignada devido à falta de luz. “Sem luz não tem como trabalhar e o pior é que ninguém vai ressarcir o prejuízo que estamos tendo.” Ela afirma que, ontem, o problema no Conic começou de modo parcial, por volta das 11h e às 16h30 a falta de energia foi geral.
Prejuízo
Para Daniel Ferreira, proprietário de uma loja de instrumentos musicais no Conic, os danos foram maiores. Ele lembra que quando o problema começou, na quinta-feira, alguns aparelhos eletrônicos da loja queimaram. Daniel diz que muitos estão sendo prejudicados com isso e estão indo embora mais cedo. “Tenho quase certeza que isso está acontecendo por causa da greve”, ressalta.
O proprietário de um restaurante chinês localizado na Asa Sul, Jun Ito, também não ficou ileso dos problemas. Ontem, sua loja ficou sem energia elétrica pela tarde. “Sem energia, a gente perde quase todos os nossos alimentos, já que trabalhamos com produtos altamente perecíveis” diz. Ao entrar em contato com a CEB, Ito disse que não há prazos para o conserto devido à greve. A CEB registrou problemas de falta de energia também em São Sebastião e na Vila São José, em Vicente Pires.
De acordo com a Assessoria de Comunicação da CEB, os funcionários não seguiram o acordo coletivo de trabalho que foi firmado em 2009 e que tem validade até outubro de 2011. A companhia entrou com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-DF), alegando que os servidores não cumprem o que manda a legislação, que garante pelo menos 30% da equipe em funcionamento.
No início da greve, as exigências eram aumento de 23% no salário, além de um abono salarial de R$ 5 mil. A CEB espera que a Justiça do Trabalho julgue o caso na próxima sexta-feira.
Segundo o diretor do Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal (Stiu-DF), Jeová Pereira, mesmo se a greve não estivesse acontecendo, os problemas ainda existiriam. “Apesar da redução de servidores, mais de 50% das chamadas de emergência são atendidas”, garante o diretor. Jeová afirma que a redução dos funcionários da companhia não atrapalha nos serviços. “Nós já acionamos uma equipe extra para a colaboração.” Ele diz que não se pode colocar a culpa somente na greve, já que o DF está em período de chuva. “Em 1989 havia dois mil servidores na companhia, hoje temos cerca de 770. A greve não é problema, já que a empresa sempre sofreu reduções”, diz. De acordo com ele, no entanto, cerca de 300 chamadas ocorrem por dia, e destas, apenas cem não são atendidas. Em relação à falta de luz no Conic, o diretor garantiu que a CEB está acompanhando o problema.