Leandro Cipriano
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está apertando o cerco sobre os suplementos alimentares que não atendem as normas previstas no Brasil. Os que tiveram sua comercialização mais recentemente proibida são aqueles que possuem a substância dimetilamylamine (DMAA) na composição. Isso, porém, tem dividido a opinião de usuários dos produtos. Apesar de especialistas em saúde concordarem com a medida da agência, muitos que utilizam com frequência os suplementos discordam sobre os efeitos prejudiciais apontados pela Anvisa.
É o caso do estudante Rogério Moreira, de 23 anos. Ele usa suplementos alimentares como Jack3D e Lipo-6 Black, de fácil aquisição na internet e famosos no mercado e academias. Contudo, os dois produtos possuem o DMAA, que de acordo com a Anvisa, podem causar agravos à saúde, incluindo disfunções metabólicas, danos cardiovasculares, alterações do sistema nervoso e, em alguns casos, levar até a morte.
“Eu nunca soube de ninguém que tenha reclamado. Os efeitos positivos são o prometido, mas é preciso usar com consciência, como qualquer outro produto. O próprio suplemento já vem com recomendações. E mesmo usando, o que faz ganhar massa ou manter um corpo definido são os exercícios”, comentou Rogério.
O produto Oxy Elite Pro é outro suplemento que contém DMAA. É um termogênico usado para queima de gordura, mas a depender do metabolismo do usuário, também pode provocar enjoos frequentes, pressão baixa, tremedeira, taquicardia e dor de cabeça.
Suzana (nome fictício), de 21 anos, comprou há pouco tempo o Oxy Elite Pro. Como seu corpo se deu bem com o uso de outros termogênicos, decidiu experimentar, por recomendação de colegas. “É uma questão de conhecer bem o produto, saber os efeitos colaterais e seguir o recomendado na embalagem. Afinal de contas, é algo que está mexendo no seu corpo”, disse.
Já a bibliotecária Gleici Barbosa, 27 anos, não se arrisca com o Oxy Elite. Apesar de já ter usado suplementos como o Jack3D, se limita agora apenas a exercícios mais leves. “Nunca vi homens reclamando do Oxy Elite, mas sei de muitos casos de mulheres que se sentiram mal. Por medo, nunca usei”, afirmou.
Uso indiscriminado
Para Gleici, a utilização indiscriminada é o que prejudica uma discussão mais equilibrada do tema. Seguir as recomendações impostas nos produtos e iniciar o consumo de forma controlada, começando com doses mínimas, é o principal. “Só porque uma pessoa se dá bem com algum suplemento não quer dizer que outra terá o mesmo efeito. Mas, se a Anvisa parar a venda, o que não faltam são opções no mercado”, apontou Gleici.