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Brasília

Alunos do Gama protestam contra atraso nas obras do campus

Arquivo Geral

16/12/2010 19h36

Cerca de 150 estudantes do campus do Gama subiram nesta quinta-feira a rampa da Reitoria da UnB gritando palavras de ordem e portando faixas e cartazes. Os manifestantes exigiam a conclusão das obras nos prédios da faculdade, atrasadas há mais de um ano. Salas de aula e laboratórios estão provisoriamente instalados no SESC do Gama, no antigo fórum da cidade e em um galpão alugado. O contrato com o SESC expira em fevereiro e apenas o uso de um dos andares foi renovado. Por causa disso, as aulas se encerrarão no final de janeiro.

Os estudantes entregaram carta elaborada pela direção da UnB Gama sobre o atraso da obra ao chefe de gabinete do reitor, Wellignton de Almeida (leia aqui). A reunião contou com a presença do decano de Administração e Finanças, Pedro Murrieta, e do diretor do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer (CEPLAN), Alberto de Faria. Os estudantes reclamaram da falta de salas de aula e espaço para colocar equipamentos de laboratório. “Não sabemos onde os quase 1.300 alunos da faculdade terão aula no ano que vem. Além disso, temos equipamentos guardados em banheiros”, conta o aluno Cristiano Ribeiro, do Centro Acadêmico da UnB Gama.

A administração da UnB marcou reunião com comissão da faculdade formada por alunos e professores para discutir o problema das aulas para a próxima segunda-feira, às 15h. “Além disso, faremos uma visita à obra às 8h30 do mesmo dia”, comprometeu-se o decano Pedro Murrieta. Segundo o professor, o prédio para salas de aulas e laboratórios ficará pronto até maio, enquanto que o segundo prédio, só de laboratórios, será concluído em março. “Quanto ao espaço para as aulas do primeiro semestre, vamos discutir uma solução na reunião de segunda para garantir as aulas independentemente da conclusão das obras”, disse o decano.

ENERGIA – Os alunos questionaram também a respeito do abastecimento de água, esgoto e energia no novo campus. “A energia elétrica nos prédios, por exemplo, só está garantida por uma gambiarra”, afirmou Victor Hugo de Sousa, presidente do CA. “Não temos garantia de que a infraestrutura será concluída”. Segundo Murrieta, realmente não há garantia de que a infraestrutura estará concluída junto com a obra, mas que isso não impedirá o início das aulas. “Vamos procurar soluções alternativas, no caso da ligação de energia, por exemplo, é possível alugarmos geradores”, afirmou.

Problemas de acesso e segurança também foram apontados pelos estudantes. “O novo campus não tem um plano de segurança apesar de estar em uma área violenta da cidade”, reclamou Cristiano. “Além disso, temos dificuldade de acesso em uma das vias mais movimentadas do Gama. Falta faixa de pedestres e passarelas”, completa.

O movimento teve o apoio dos professores da faculdade, que liberaram os alunos das provas e atividades do dia para comparecerem ao protesto. “Eles têm o direito de exigir um ensino de qualidade”, afirmou o professor Rafael Morgado. “Esse é um movimento de toda a universidade. Os nossos equipamentos estão entulhados, o que prejudica as aulas práticas. Se não tivermos um curso prático, como poderemos formar engenheiros?”, queixou-se.

O diretor da FGA, Alessandro Borges, destacou a dificuldade de encontrar locais provisórios de aula na cidade. “O ideal é que tivéssemos o prédio de salas de aula pronto já em março, estamos perdendo um dos andares do SESC e não temos onde realocar esses alunos”, conta. Segundo o professor, dobrar a quantidade de turmas não é uma alternativa viável por causa da falta de professores. “O prédio novo abriria espaço para aulas também no fórum, já que transferíamos laboratórios também para o fórum”.

OBRA – Mozart Ribeiro, engenheiro da construtora Manchester – uma das responsáveis pela obra do campus do Gama –, afirma que os atrasos na conclusão dos edifícios se devem à lentidão no repasse de verba por parte da UnB. Segundo os cálculos dele, a universidade possui um débito de pelo menos R$ 700 mil com a empresa. “Existe uma burocracia muito grande para o pagamento, que acaba impedindo a obra de ganhar ritmo. Sem a verba, não conseguimos mais operários”, afirma ele, que comanda 45 trabalhadores.

O decano Pedro Murrieta nega problemas em relação à disponibilidade de verba para obra. No entanto, admite que problemas técnicos no repasse durante os seis meses de greve em 2010 podem ter prejudicado o financiamento da construção. “O que pode ter acontecido foi uma questão técnica, mas falta de dinheiro não é justificativa”.

Outro problema que trava a obra da UnB no Gama, segundo Mozart, é a escassez de alguns materiais de construção no mercado. “Trabalhamos com peças pré-moldadas, que são feitas com um tipo de cimento especial”, explica. O engenheiro afirma que a alta demanda pelo material provocou uma escassez do cimento no comércio brasiliense. “Há muitas obras no Distrito Federal que estão usando pré-moldados. Está difícil encontrar uma solução, mas estamos buscando alternativas”, completa Mozart.

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