Os alunos da UnB Ceilândia vão defender a suspensão das 130 vagas de vestibular do campus na próxima reunião do Conselho Universitário (Consuni), na sexta-feira. Eles querem a interrupção do certame até que todos os três edifícios da nova sede estejam prontos e em pleno funcionamento.
Uma comissão de dez alunos está elaborando um documento que será entregue aos 16 conselheiros que representam os estudantes no Conselho Universitário (Consuni) amanhã. “Queremos mostrar ao conselho a nossa real condição e por que precisamos parar essa bola de neve”, afirmou Jéssica Rosa, do 5º semestre de Saúde Coletiva, que conduziu a assembleia dos estudantes na tarde desta quarta.
Os alunos comentaram ainda a decisão do conselho da faculdade de manter o apoio à suspensão do vestibular (leia aqui). Segundo eles, a decisão dos professores fortalece o movimento. “Com certeza a ocupação ia continuar até o dia do Consuni, mesmo se não houvesse essa decisão. Mas de qualquer forma é muito bom ter o apoio dos professores”, destacou Jéssica. Ela diz que não é intenção interromper a entrada de novos alunos, mas sim garantir que os prédios estejam prontos no próximo semestre.
MOVIMENTOS SOCIAIS – Outra comissão formada por estudantes da Ceilândia participou de reunião com movimentos sociais ontem, na Escola Técnica da cidade. O Movimento Popular Pró-Universidade Pública (MOPUC) e o Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor (MOPOCEM) é contra a proposta de suspender o vestibular e convocaram a reunião para discutir o tema com representantes dos estudantes. “Nós damos total apoio ao movimento dos estudantes, mas ficamos num impasse com relação a esse ponto”, afirma Marcos Machado, do MOPOCEM.
Na ocasião, os movimentos votaram pela elaboração de duas cartas: uma direcionada ao movimento estudantil e outra a comunidade acadêmica. A primeira reitera o apoio dos movimentos aos 13 pontos reivindicados pelos alunos, exceto o décimo, que pede suspensão do vestibular. “Isso vai contra a história do movimento que lutou por anos para garantir uma universidade pública na cidade”, afirma Eliceuda França, do MOPUC. “Os jovens de Ceilândia sonham em entrar na UnB”. A carta segunda chama a universidade para a abertura do dialogo e de negociações com os estudantes.
Segundo Eliceuda, as cartas estarão prontas até amanhã e serão encaminhadas para os estudantes e para Reitoria da UnB. Além do MOPUC e do MOPOCEM, os documentos serão assinados por outros movimentos sociais da cidade. Elias Barros, aluno de Enfermagem que participou da reunião ontem, afirma que a posição dos estudantes não mudou. “A proposta pela suspensão é que está abrindo as nossas portas, não teríamos essa reunião se não fosse por isso”.