Menu
Brasília

Alguma coisa não está cheirando bem…

Arquivo Geral

08/08/2013 7h00

Nas últimas semanas diversas cidades do Distrito Federal passaram por um mesmo problema: esgoto jorrando na rua e nada da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) aparecer para resolver.

 

O caso mais recente ocorreu em Ceilândia. Foram necessárias mais de 10 ligações e a espera de sete dias até que a Caesb fosse à feira central da cidade resolver a questão. Comerciantes alegam ter perdido clientela e lucros.  

 

Os feirantes que solicitaram o serviço de manutenção da Caesb ouviram da companhia, na época, a justificativa de que a demora era devido a falta de funcionários. 

 

A reportagem do Jornal de Brasília procurou a Caesb para saber sobre a carência de pessoal e tentar entender a lentidão dos serviços prestados, mas não recebeu resposta da companhia. 

 

Reclamação geral

 

Moradores e comerciantes próximos às aéreas que vêm sofrendo com esses problemas denunciaram a situação. Em Ceilândia, a dona de uma banca de jornal contou que o problema só foi resolvido depois de ser veiculado na imprensa. “Já estava saindo até fezes do bueiro. Entupiu e eles não faziam nada. Só diziam, a cada ligação, que tinham o prazo de 12 horas para resolver. Mas nada aconteceu até que fosse feita a matéria”, disse Patrícia Tarouquela. 

 

A mãe dela, uma idosa de 61 anos, contou ainda que perdeu o lucro das vendas de salgados. “Porque era um nojo aquilo. Ninguém queria comer aqui, claro”, destacou Nelma. “É um desrespeito isso, porque, por mais que eles não tenham pessoal, em 15 minutos resolveram tudo. Fica no jogo de empurra-empurra e nós é que somos prejudicados”, completou. 

 

O chaveiro Junior Alves, 29 anos, que também trabalha próximo à feira, disse que chegou a fechar a banca por causa do mau cheiro. Para ele, além de representar descaso com os serviços que deveriam ser prestados à população, a demora no atendimento prejudica, inclusive, a saúde das pessoas. “O que sai dali é  contaminado, e aqui temos muita venda de alimentos”, observou. 

 
 
Lentidão nos serviços
 
 
 
Outras regiões do DF, além de Ceilândia, também sofreram nos últimos dias. Na QN 5 do Riacho Fundo, o problema foi ao lado de uma parada de ônibus, em frente ao comércio. Foram quatro dias até a chegada da Caesb ao local. “O cheiro era insuportável. E o que a gente vê, nesses casos, é que o desrespeito com o cidadão é geral, em todos os órgãos do GDF. Qualquer um deles, se precisarmos de algo, contamos com a lentidão dos serviços”, destacou o vendedor Sandoval França, 58 anos. 
 
 
Falta de água 

 
No Areal o problema foi outro. Na Quadra 14, o vigia Magnum Fernandes chegou a ficar três dias sem o fornecimento de água porque os agentes da Caesb não foram trocar o registro da casa, que quebrou por conta de uma reforma no ambiente. “Acabei pagando R$ 50 para uma pessoa fazer o serviço. É complicado por que se mexermos na viela do registro, pagamos multa e se eles não vêm, a gente paga também.”
 
 
 
Ponto de vista
 
 
O especialista em gestão pública José Matias-Pereira, da Universidade de Brasília (UnB), diz que a demora na prestação de serviços mostra que o GDF deve começar a aportar recursos para investir na Caesb. “Essas áreas de saneamento e fornecimento de água, quando bem administradas, costumam gerar bons resultados”, avaliou.  Até porque, destacou, “a água no DF não é um bem barato”.  Para o docente, a demora no atendimento aos cidadãos são evidências de que a empresa está passando por problemas de gestão. “Essa lentidão nos serviços mostra que a Caesb já está na sua capacidade limite de trabalho”.
 
 
 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado