O Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek conta com apenas uma via de acesso, a Estrada Parque Aeroporto (Epar). Dessa forma, um acidente ou protesto que compliquem o trânsito afetam centenas de passageiros, que correm o risco de perder os voos. Foi o que aconteceu ontem, quando cerca de 700 manifestantes fecharam a via, em apoio à empresa Telexfree.
A empresa é suspeita de montar um sistema de pirâmide financeira por meio de um negócio de venda de pacotes de telefonia via internet (VoIP, em inglês) como fachada.
O protesto teve início às 9h e terminou por volta do meio-dia. Houve bloqueio de vias nos dois sentidos do terminal do aeroporto. O engarrafamento prejudicou o fluxo de outras vias da capital, como a Estrada Parque Guará (EPGU). Após as 11h30, uma faixa foi liberada, melhorando o trânsito.
Solução
Devido ao engarrafamento, passageiros que ficaram presos no trânsito seguiram a pé para o terminal, com malas e mochilas nas costas. Maria do Socorro Melo Lima, moradora do Piauí, só conseguiu embarcar porque foi prevenida: saiu com três horas de antecedência de casa, chegando apenas 40 minutos antes do horário da decolagem. “É um absurdo só ter uma via de acesso ao aeroporto. Se coisas imprevisíveis acontecerem, quem sai prejudicado somos nós”, diz.
Ao meio-dia, os manifestantes liberaram a via e seguiram em carreata com cerca de 50 veículos rumo ao Ministério Público.
Associados estão sem salário
A Telexfree está sendo investigada há mais de um ano. A Secretaria Nacional do Consumidor apura as 13,9 mil reclamações que a empresa recebeu desde setembro de 2012. Os bens da companhia foram bloqueados pela Justiça do Acre no dia 18 de junho.
A Telexfree está sob investigação do Ministério Público por suspeita de usufruir de um esquema de pirâmide financeira, modelo no qual em vez de se faturar sob a venda do produto, ganha-se um percentual em cima dos novos vendedores que entram para a rede, o que é considerado crime.
Os associados da empresa alegam que o argumento utilizado pelo MP não convém, pois a empresa e os próprios funcionários pagam impostos. Segundo o divulgador Ricardo Nobre, o modelo de negócio da Telexfree é o marketing multinível, ou seja, os vendedores ganham em cima do faturamento com a venda dos sistemas.
“Há uma grande diferença entre pirâmide e marketing multinível. Essa decisão foi um crime contra a empresa”, indaga Ricardo.
“Queremos que ela volte a funcionar para podermos trabalhar, e, assim, receber por isso”, desabafa Júlio César, de Franca (SP), que está sem salário há um mês.