Os advogados do professor Rendrik Vieira Rodrigues, de 35 anos, que teria confessado o assassinato da estudante Suênia Sousa Farias, de 24, na noite da última sexta-feira (30), entraram com um pedido de habeas corpus na segunda instância do tribunal. O desembargador George Lopes Leite, da 1ª Turma Criminal, ficou incumbido para analisar o caso. O pedido foi feito na tarde da última segunda-feira (03), por volta das 17h30. O embargador tem 42 horas para dar a resposta.
Ainda na tarde desta terça, o pedido da defesa de Rendrik de relaxamento de prisão foi negado pela justiça. O professor deixou a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e foi encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda nesta manhã.
Entenda o caso:
Uma estudante universitária foi morta por um professor com dois tiros na cabeça e outro no tórax na última sexta-feira (30). O suspeito, após circular com o corpo durante três horas dentro do carro, se apresentou na 27ª DP (Recanto das Emas). Ele teria confessado o crime bárbaro e se entregado. O corpo de Suênia Sousa Faria, de 24 anos, estava dentro do veículo.
A jovem, estudante do 7º semestre do curso de Direito de uma faculdade na Asa Norte, teria tido um envolvimento amoroso de 11 meses com o professor Rendrik Vieira Rodrigues, de 35 anos. Na época, ela estava separada do marido. O relacionamento, porém, não foi em frente, e a universitária voltou há três meses para o marido.
Segundo informações de Silene Sousa Faria, 34 anos, irmã da vítima, Rendrik era muito ciumento e, por isso, Suênia resolveu terminar o namoro. Mas o professor não aceitava o fim do romance e teria tentado, de todas as maneiras, reatar com a jovem. “A minha irmã pediu ajuda para a família dele e eu cheguei a ligar na operadora para fazer o bloqueio do celular dela”, conta Silene.
Ameaças
Inconformado com o fim do relacionamento, o professor enviava e-mails antigos para o marido da vítima, tentando criar um desentendimento e provavelmente separar o casal. Silene contou que ele ameaçava a irmã de morte e dizia que se ela não fosse dele não seria de mais ninguém.
Nesta sexta (30), por volta das 14h30, ele teria ido fazer mais uma tentativa de reatar o relacionamento. A conversa, porém, não deu resultado e ele acabou matando a estudante, após circular pela Estrutural e Taguatinga com ela.
Rendrik Vieira Rodrigues circulou durante várias horas com o corpo de Suênia dentro do carro. Por volta de 17h30, ele chegou na 27ª Delegacia de Polícia, no Recanto das Emas, teria ido até o balcão e dito a um agente: “Fiz uma besteira. Comprei uma arma e matei uma pessoa. Um agente foi até o carro e viu o corpo da universitária no banco do carona. A arma, uma pistola 380, não foi localizada pela polícia.
Segundo informações do delegado-titular, Alexandre Nogueira, Suênia, que sonhava em se formar e ser delegada, foi abordada por Rendrik na porta da faculdade. Ela havia saído mais cedo da aula porque viajaria com o marido para Goiânia. A estudante daria uma carona para uma colega até Águas Claras, onde moravam. Foi quando o professor chegou e pediu que a amiga de Suênia saísse do veículo, pois precisava falar com ela. A amiga deixou a bolsa e o material e saiu. Quando voltou não achou mais os dois.
O delegado contou que Suênia chegou a ligar para o marido e dizer que iria em casa buscar suas roupas, pois iria viver com o professor. O marido, porém, achou a voz da mulher estranha e foi até a 12ª DP, em Taguatinga, registrar queixa. Por causa disso, uma suposta premeditação, o professor possivelmente não poderá responder pelo crime em liberdade.
Especialista em Direito Comercial, Rendrik Vieira Rodrigues dava aulas em duas faculdades do Distrito Federal, sendo coordenador do curso em uma delas. Rendrik ficou várias horas prestando depoimento na delegacia. Segundo o delegado, se não tivesse havido o registro da ocorrência feito pelo marido da vítima, ele poderia ser liberado, uma vez que se apresentou em flagrante.
Dois advogados compareceram à delegacia. O professor passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal e depois foi encaminhado ao Departamento de Polícia Especializada (DPE), no Parque da Cidade. Segundo o delegado, ele irá responder por homicídio qualificado, com pena de 20 a 30 anos.