Carlos Carone
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Apontada pelo Ministério Público e por investigadores da Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida) da polícia como a mandante do triplo homicídio da 113 Sul, a filha de José Guilherme Villela e Maria Villela, que foram assassinados com a empregada Francisca Nascimento Silva, a filha, Adriana concedeu entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília e falou sobre o andamento das investigações.
A arquiteta fez uma série de denúncias sobre o trabalho desempenhado pela Corvida. Ela contou ter sofrido tortura psicológica durante os depoimentos prestados na divisão e disse que a polícia não busca solucionar o crime e sim procurar, de qualquer maneira, ligá-la ao crime, ocorrido em 28 de agosto do ano passado, no apartamento 601/602 do bloco C.
Adriana afirmou que jamais teve qualquer tipo de contato com o ex-porteiro Leonardo Campos Alves, que confessou ter participação no crime e a acusou de ser a mandante do assassinato dos pais e da principal governanta da família. Adriana também revela que jamais pediria que a polícia investigasse um homem que, de acordo com as investigações, teria sido contratado por ela para cometer o crime. “Acho meio surreal eu pegar um telefone e ligar para um porteiro e perguntar se ele gostaria de forjar um assalto à casa dos meus pais”, disse a arquiteta, que cumpriu prisão temporária no Presídio Feminino.
Depois de ser indiciada e ficar presa por um mês, como você analisa o desenrolar das investigações?
Houveram diversas etapas na investigação. A primeira delas na 1ª DP (Asa Sul), uma segunda numa comissão que foi formada pela Delegacia da Asa Sul, além da Corregedoria da Polícia Civil e a própria Coordenação de Investigação de Crimes contra a Vida (Corvida) e a última que ficou definitivamente com a Corvida. Na primeira etapa, o que eu considero um erro gravíssimo foi a metodologia de querer divulgar tudo na imprensa. Nessa fase, tudo foi baseado muito em denúncias anônimas e não em investigações técnicas. Houve uma forte exposição do que estava sendo investigado, além da minha família e de um patrimônio que não corresponde à realidade. Tudo isso foi muito grave.
E na etapa seguinte?
Na segunda etapa houve o erro que acabou provocando que o Ministério Público agisse. Uma denúncia dava conta que a delegada Martha (então chefe da 1ª DP que iniciou as investigações) havia pego documentos sem mandado de busca e apreensão no escritório de advocacia do meu pai. Então por conta disso, nós fizemos uma denúncia no MP e, em razão desse fato, foi determinado que o caso fosse para a Corvida. A polícia, naquela época, entendeu que a delegada Martha deveria permanecer na investigação, mas houve um forte conflito entre ela e a delegada Mabel de Faria, da Corvida. Eu acredito que isso ocorreu em razão da manutenção da prisão das pessoas presas supostamente com a chave do apartamento.
E depois?
A delegada Martha então saiu do caso e a Corvida assumiu. Nós (a família Villela) vimos isso com bons olhos, porque estávamos esperançosos de que a Corvida teria maior capacidade para levar as investigações de forma mais técnica. Entretanto, foi adotada uma linha única de investigação em torno de uma pessoa inocente, que sou eu. Não estão investigando nada, além disso. O que me assusta é que isso continua a acontecer mesmo depois de passar mais de um ano insistindo numa tese furada e justamente quando surgem os verdadeiros assassinos dos meus pais. Eles sim são autores confessos e com motivos para terem feito isso, declaradamente dizendo que eu não tinha nada a ver com o crime. Me assusta perceber a insistência da Corvida em sustentar uma hipótese falsa, que eles haviam elaborado com esse grau de crueldade, que é associar uma vítima de crime aos verdadeiros assassinos.
Então você acha que a polícia está tentando te incriminar?
Eu acho que inicialmente a delegada Mabel viu uma oportunidade, neste caso, de grande visibilidade e repercussão na imprensa para se promover profissionalmente. Mas não da forma adequada de se promover, que é de tentar fazer um bom trabalho. Eu sinto que ela quis dar qualquer resposta e que essa resposta parecesse verdadeira. Ouço dizer de muitos advogados que acompanham casos criminais que é muito comum que a polícia no Brasil, ao ter um homicídio sem autoria, eleja uma pessoa para construir provas contra ela. Como isso está acontecendo comigo sinto que isso procede. A delegada encontrou uma oportunidade de fazer isso a partir de uma carta em que minha mãe brigava comigo e que não significa o que ela quer sustentar. Principalmente pelo fato de depois desta carta minha mãe ter escrito várias outras cartas, mostrando que não havia briga e sim desentendimentos, o que é normal em qualquer família.
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