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Brasília

Adolescentes comandam grupos especializados em assaltos, furtos e tráfico no DF

Arquivo Geral

08/07/2012 9h09

Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br

 

No mundo do crime, a figura do adolescente sempre teve uma função bem definida. Meninos e meninas se transformavam em meros instrumentos usados para portar ou transportar armas e drogas, a mando de criminosos mais experientes. O cenário faz parte do passado. Armadas, com sinais de organização e desta vez delegando ordens, quadrilhas formadas apenas por adolescentes são alvo de investigações da Polícia Civil do DF.

 

Atualmente, a Delegacia da Criança e do Adolescente I (DCA I) monitora a ação de dois grupos que cometem uma série de roubos em diversas cidades do DF. Enquanto um se especializou em atacar comércios, o outro visa veículos importados em regiões nobres. Todos agem bem armados, com revólveres e pistolas. Alguns dos membros das duas quadrilhas chegaram a ser apreendidos, mas em pouco tempo  voltam às ruas.

 

 

O bando, apelidado pela polícia de “gangue das bicicletas”, promoveu uma série de roubos em lojas de ciclismo no Sudoeste e em shoppings do Plano Piloto. Todos os integrantes são adolescentes de Santa Maria e já teriam feito assaltos que provocaram, juntos, prejuízo de cerca de R$ 100 mil aos proprietários dos comércios. Os jovens chegaram a ser filmados por câmeras dos circuitos internos das lojas.

 

 

Os adolescentes têm como marca registrada a violência e a ameaça contra os lojistas. Após reunirem todos os produtos roubados, o grupo deixava o local com rapidez. Além do Plano Piloto, a mesma quadrilha também fez assaltos em Planaltina e Santa Maria. Investigações identificaram todos os integrantes. Mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Vara da Infância e Juventude (VIJ). No entanto, após o cumprimento de medida socioeducativa, membros da quadrilha foram libertados. Novos assaltos já foram feitos e investigadores da DCA voltaram a monitorar o grupo.

 

De acordo com a delegada-chefe da especializada, Viviane Bonato, o perfil dos adolescentes apreendidos aponta para uma “independência” maior no que diz respeito à prática de atos infracionais graves, como os análogos a crimes contra o patrimônio.  “Os adolescentes em conflito com a lei deixaram de ocupar um lugar secundário na prática dos atos infracionais. Eles lideram os grupos, são os donos das armas e planejam a execução dos assaltos”, disse.

 

 

A prova da organização dos adolescentes  no cometimento dos atos infracionais é a existência de uma quadrilha especializada no roubo de carros importados. Os locais preferidos para os ataques ficavam no Plano Piloto e no Setor Sudoeste. Os roubos ocorriam na hora do almoço e no fim da tarde e os alvos preferidos sempre eram mulheres.

 

 

No início, as investigações da DCA apontavam que os carros eram roubados e as vítimas, abandonadas no local. Depois de cinco ou seis roubos, as mulheres passaram a ser levadas com os veículos, que tinham como destino as cidades da Região Metropolitana do DF. Os veículos eram vendidos para quadrilhas que clonavam os carros ou simplesmente os desmontavam.

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