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Brasília

Acusado de matar mendigos na Asa Sul vai a júri amanhã

Arquivo Geral

15/08/2011 19h52

O Tribunal do Júri de Brasília designou para amanhã (16/8), às 9 horas, o julgamento de um servidor do Banco Central acusado de matar dois moradores de rua na Praça do Índio, em 2009.

 

De acordo com a acusação, “no dia 19 de janeiro de 2009, (…) entre 6h30 e 07h, no coreto da Praça do Índio, na SHIS 703/704 (…), o denunciado (…) efetuou disparos em Paulo Francisco de Oliveira (35 anos) e Raulhei Fernandes Mangabeiro (26 anos), provocando-lhes lesões que foram a causa da morte de ambos.” Para a peça acusatória, “os crimes tiveram motivação fútil”, que seria “o inconformismo do denunciado com a presença das vítimas no coreto da Praça do Índio, que é vizinha à sua residência”. Ainda conforme o Ministério Público, o réu “valeu-se de recurso que (…) dificultou a defesa das vítimas”, pois elas não teriam razão para suspeitar da “investida criminosa do denunciado” que as “abordou de arma em punho, mandou que ambas deitassem no chão – no que foi obedecido – para, assim (…) dificultar qualquer possibilidade de reação das vítimas”. Ele foi pronunciado pela suposta prática de dois homicídios duplamente qualificados (Art. 121, § 2º, incisos II e IV, do Código Penal).

 

Durante interrogatório em juízo, o acusado José Cândido do Amaral Filho, 50 anos, reconheceu que realmente atirou nas vítimas, mas alega legítima defesa. Contou que o mendigo já havia atirado pedras contra ele anteriormente durante uma discussão envolvendo a invasão da casa de um vizinho. Cerca de um mês depois, sua esposa teria sido assaltada com o uso de uma faca enquanto andava de bicicleta e ele suspeitou que pudesse ter sido a mesma pessoa. Os dois fatos o teriam deixado com medo. Acrescentou que houve outros atos que ele interpretou como provocações até que decidiu que iria “tirar as vítimas dali”. Ao chegar à praça, armado, um dos rapazes teria ido em sua direção. Ele teria apontado a arma e gritado para que o mendigo se deitasse e teria pedido a um rapaz que estava próximo à banca para chamar a polícia. Em determinado momento, a vítima teria olhado para ele e se movimentado, passando a impressão de que iria sacar uma arma. Diante da possível ameaça, ele teria atirado.

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