Luís Augusto Gomes
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Os simples e ingênuos desenhos feitos por crianças em salas de aula estão revelando cada vez mais os problemas enfrentados por elas em casa. Alguns dos traços mostram a violência diária. Por isso, as escolas da rede pública estão se tornando as principais parceiras da polícia para identificar casos de agressão física ou sexual e quem são os agressores, o que significa um aumento no número de denúncias.
Os autores estão sendo descobertos graças ao debate sobre violência nas escolas públicas. Com isso, o tabu e o medo vêm sendo deixados de lado no combate aos agressores, principalmente, padastros, pais, irmãos, tios e pessoas conhecidas das vítimas. O caso mais recente é o de um menino de nove anos abusado pelo padrasto. Os professores perceberam o problema a partir de desenhos que a criança fez na escola. Os traços mostram o sofrimento e a humilhação impostas à criança pelo homem de 36 anos, reincidente no mesmo crime e que morava há dois anos com a mãe do garoto.
Quando viu o desenho, a professora comunicou o caso à direção da escola. A delegada Alessandra Figueiredo, assistente da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), foi acionada e conversou com o aluno, que revelou o sofrimento imposto pelo padastro. O menino reconheceu o fio elétrico e a fita isolante com os quais tinha as mãos e as pernas amarradas e a boca amordaçada. Com a denúncia da escola, o suspeito foi preso, colocando um fim na angústia do menino.
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