Sarah Barros,
com UnB Agência
sarah.carvalho@jornaldebrasilia.com.br
O terremoto sentido pelos brasilienses na semana passada não será o último, segundo estudos conduzidos pelo professor José Oswaldo Araújo, da Universidade de Brasília (UnB). O trabalho está focado em uma falha geológica que aparece no centro de Tocantins e em Goiás.
“Há sete anos estudo essa falha e tenho falado sobre a instabilidade da região por onde ela aparece”, relata. Presente desde o litoral noroeste do Ceará, a falha está encoberta por rochas da bacia do Parnaíba, aparecendo em Tocantins e Goiás. Em direção ao sudeste, ela é encoberta novamente por rochas da bacia do Paraná, nos estados de Mato Grosso do Sul e oeste de São Paulo.
Segundo o professor, a formação é composta por uma série de falhas menores, paralelas, chamada de Lineamentos Transbrasilianos, que podem se estender até o noroeste da Argentina. A cidade de Mara Rosa (GO), epicentro do tremor, fica em cima dessa falha. O terremoto ocorreu a partir do deslocamento de blocos rochosos e consequente liberação de energia. “Como a falha é muito grande, é comum que blocos menores tentem se deslocar para se acomodar melhor. Mas para se movimentar eles têm de vencer o atrito que existe entre suas próprias superfícies, que são irregulares”, explica o professor.
Araújo acredita que novos tremores podem ocorrer, ainda que, segundo as estatísticas, os tremores associados à falha sejam de pequeno e médio portes. “Isso não significa que não podemos ser surpreendidos por um tremor um pouco mais intenso. A Geologia parece um pouco com a Medicina. Falamos em probabilidades, não em certezas”, compara. O Brasil, ele acrescenta, não está livre de terremotos, mas aqui eles ocorrem em baixa intensidade.
Leia mais na edição desta quarta-feira (13) do Jornal de Brasília