A lavagem de roupa suja promete um desfalque milionário aos cofres públicos. Ao que tudo indica, o governo Agnelo se prepara para gastar R$ 222 milhões com os serviços de lavagem e esterilização de peças hospitalares. Trata-se de um pregão publicado no Diário Oficial do DF de 13 de agosto, que convoca empresas interessadas. O prazo para a manifestação de interesse vai até 3 de outubro.
Além do expressivo valor, outro fator que levanta suspeitas é a exorbitante diferença em relação ao contrato anterior, que foi empenhado em R$ 13 milhões. Ou seja, o contribuinte pode pagar aproximadamente 17 vezes a mais pelo mesmo contrato.
O pregão provoca manifestações contrárias, que apontam suposto superfaturamento. Exemplo disso é a deputada distrital Celina Leão (PSD). “Antes de tudo, sou totalmente contra a terceirização dos serviços de saúde. E nada justifica um valor tão alto. Por isso, eu peço explicações”, critica.
A parlamentar destaca que após ter feito um comunicado em sessão na Câmara Legislativa, na última terça-feira, o pregão foi retirado do ar. “Mas isso não diminui a necessidade de explicação. Pode ter sido uma manobra do governo para fugir dos esclarecimentos”, diz.
Certame barrado
Ela relembra que, em 2009, o Tribunal de Contas barrou um processo licitatório que aumentava o valor do serviço de R$ 13 milhões para R$ 30 milhões. “Se antes já julgaram o valor como exorbitante, imagina desta vez, que é muito maior. Acredito que esse momento seja o mais oportuno para repensar a respeito das licitações, que começaram a predominar na maior parte das ações do DF”, expõe.
A parlamentar chama a atenção para outros detalhes do contrato, como o uso das máquinas. “Nos oito primeiros meses, a empresa vai utilizar os equipamentos da própria Secretaria de Saúde, e só a partir do nono mês, já com os recursos suficientes, é que a empresa vai adquirir novas máquinas. E no final do contrato, elas não ficam com a secretaria, mas com a empresa”, observa.
Ela destaca ainda que as exigências do pregão excluem qualquer possibilidade de participação de empresas do DF.
O JBr procurou o governo Agnelo para comentar o assunto, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.
Ponto de Vista
“Uma artimanha para fazer caixa para o próximo governo” é a definição usada pelo cientista político David Fleischer para o emblemático campo de suspeitas que envolvem o pregão. “O Tribunal de Contas tem que barrá-lo novamente. Sugiro que qualquer cidadão entre com uma ação popular contra a contratação”, estimula. O cientista político acredita que talvez exista uma conexão entre as empresas interessadas na concorrência e o GDF. “O ideal é que se verifique de forma detalhada se há algum tipo de favorecimento. Caso exista, o processo deve ser vetado, sem dúvida”, disse o especialista.