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Brasília

A hora e a vez dos coroas

Arquivo Geral

02/06/2013 10h00

Aproximadamente 51% dos moradores do Distrito Federal acima de 45 anos estão separados judicialmente, divorciados, viúvos ou solteiros. Na luta para o encontro da alma gêmea, cara metade ou amor eterno, esse grupo vem demonstrando cada vez mais interesse em sites de relacionamento virtual. Os números são do censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

A moderna ferramenta de flerte cria um ambiente propício para quem não frequenta baladas ou bares para paquerar. Para a psicóloga Melissa Chaves, do Hospital do Coração do Brasil, a realidade dos números de divórcio e a dificuldade que as pessoas enfrentam hoje em se relacionar são fatores que contribuem para o relacionamento virtual.

 

“Se você for considerar pessoas que se casaram há 20 ou 30 anos, a aproximação e a paquera eram muito diferentes naquela época. As relações estão cada vez mais virtuais e menos interfaciais. Acaba sendo mais fácil tentar achar o semelhante pelo computador, buscando interesses em comum. O fato de você já ter uma história – às vezes, até filhos – é um fator importante, que pode travar ou intimidar as pessoas na hora de procurarem alguém no dia a dia”, justifica Melissa.

 

No total são quase 250 mil brasilienses acima de 45 anos que não estão casados. Os dados de 2011 da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios, demonstram que essa parcela representa 9,52% da população de Brasília, que conta com 2.556.149 habitantes.

 

Membro desse grupo, a funcionária pública Adsan Jacqueline Stemler encontrou o segundo marido em um site de relacionamento. Hoje, com 44 anos, a servidora está mais uma vez divorciada, mas não perde as esperanças de encontrar alguém pela internet.

 

“Depois de cinco anos casada descobri que ele era um golpista, com uma série de pequenos delitos em seu nome. Não sabia nada da vida dele. Nosso relacionamento deu errado, mas não acredito que o site tenha a ver com isso. Você pode encontrar pessoas más em qualquer lugar”, conta Jacqueline, que voltou para o site assim que se separou.

 

Uma nova oportunidade

O jornalista Airton Gontow, 51, criou o Coroa Metade, site de relacionamento para pessoas maduras, após reencontrar amigos de adolescência que estavam, na grande maioria, divorciados ou solteiros, e sem esperanças de encontrar um novo amor. “Me divorciei aos 43. Embora não seja tímido, vivenciei a dificuldade que um homem mais velho tem para conhecer alguém”, afirma Airton.

 

Com apenas quatro meses no ar, a plataforma já ultrapassou a marca de 2,4 milhões de acessos, 15 mil cadastros e 3,5 mil assinantes. As cidades com maior participação são São Paulo e Rio de Janeiro, mas Brasília já está começando a marcar território online.

 

Pessoas com má intenção podem ser encontradas em qualquer lugar, mas a internet é um território desconhecido. João Gilberto, 50 anos, não gosta de expor a sua privacidade. “A internet é muito perigosa, eu fico com o pé atrás o tempo todo. Na realidade o mundo moderno é muito caótico, me preocupo diariamente”, confessa João. A preocupação veio de experiências ruins em sites de relacionamento. Viúvo há quatro anos, ele encontrou no site uma oportunidade de achar um relacionamento sério, mas ainda não se convenceu de que essa é a melhor opção. “Na verdade, estou ali mais para passar o tempo. Prefiro sair, conversar e conhecer no olho a olho”, reforça.

 

Dica de segurança

– Nunca passe suas informações pessoais antes de conhecer o pretendente pessoalmente.

 

– Não se encontre com a pessoa logo de cara, troque muitas mensagens e só marque o encontro quando você se sentir realmente preparado e seguro.

 

– Agende os primeiros encontros em lugares públicos onde exista grande movimento de pessoas.

 

– Nas primeiras vezes, leve alguém com você ou avise para onde está indo antes de sair de casa, e mantenha o celular ligado.

 

– Não peça para que a pessoa te busque em casa, não é bom passar o endereço logo de cara.

 

– Procure não passar o telefone de sua residência ou trabalho.

 

– Se você desconfiar de algo, ouça o seu instinto.  

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