Desabamentos, pills falta de luz e muitos acidentes. As primeiras chuvas, approved após dias de calor intenso, resultaram em transtornos por todo o Distrito Federal. Durante a tarde de ontem, parte do Sudoeste, Park Way, Guará e Setor de Indústrias Gráficas (SIG) ficou sem energia elétrica por horas. Alguns prédios do Setor Hoteleiro e Setor Comercial Norte também foram afetados. Segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB), um dos motivos foi um princípio de incêndio na estação 03 (SGAN 902). No Riacho Fundo, o principal problema foi o destelhamento de casas, provocado pelos fortes ventos, que chegaram a uma média de 40 Km por hora em alguns locais. A moradora da QS 12, Marilda Batista, de 43 anos, viu a casa perder quase toda a cobertura. Mãe de três filhas, Marilda estava aproveitando o tempo quente para trocar o telhado colonial e evitar problemas com a chuva. “Eu não esperava por essa chuva; quando vi, o telhado sumiu e a escada tinha virado uma cachoeira”, contou.
Mas o prejuízo não foi só este. Os vizinhos estão pedindo indenização pelos telhados de suas casas, que foram quebrados ao serem atingidos por pedaços de telha da casa de Marilda. A
geladeira da comerciária também queimou e a lâmpada estourou ao ser atingida por um
granizo.
A chuva forte também deixou algumas ruas inteiramente alagadas. O comerciante Alberto França, de 50 anos, mora no Riacho Fundo há dez anos e diz que toda vez é o mesmo problema. “O bueiro não resolve o problema e a rua fica intransitável”, relatou. Segundo ele, a
água chegou a mais de meio metro de altura. Placas de propaganda foram arrancadas em
alguns lugares e árvores também caíram com a força do vento.
No Plano Piloto, a Novacap orienta aos motoristas que tenham atenção redobrada nas tesourinhas da 202 e 210 Norte, que apresentam os maiores problemas de inundações. Como a
companhia não dispõe de um esquema especial para o desentupimento dos bueiros, as inundações são freqüentes nesta época. Segundo informações da assessoria da empresa, o trabalho é feito todos os dias por uma equipe reduzida de 70 pessoas, que atende todo o DF.
Alerta
Na tarde de ontem, a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração
Nacional, enviou alerta de chuva forte no Distrito Federal. Mas, de acordo com a Defesa Civil do DF, a chuva não provocou problemas mais sérios. Na quarta-feira, o órgão foi acionado para atender casas destelhadas e árvores caídas no Gama e em Santa Maria. “Mas não foi nada grave, que comprometesse a estrutura dos imóveis, e também não deixou vítimas”, garantiu a supervisora Solange Ribeiro.
Se alguém precisou do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) no início da tarde de ontem, passou por sufoco. Os telefones ficaram fora do ar até cerca de 15h30. Segundo a Secretaria de Saúde, enquanto o sistema estava parado as chamadas de emergência eram feitas para o telefone do Corpo de Bombeiros.
A previsão do tempo para hoje e amanhã é de mais pancadas de chuva em pontos isolados.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o motivo está nas áreas de instabilidade,
que formam nuvens carregadas sobre o Centro-Oeste. Além disso, uma frente fria no Sul e Sudeste induzem a nebulosidade na área.
Perigo e caos no trânsito
O trânsito também foi prejudicado pela chuva de ontem. De acordo com o sargento Xavier
Fernando, do Corpo de Bombeiros, foram registrados 24 acidentes de trânsito, incluindo
atropelamentos. Sete semáforos ficaram intermitentes devido a falta de energia e só voltaram a funcionar no final da tarde com a normalização do serviço.
Por volta das 13h30, mais de dez veículos se envolveram em um acidente, a 500 metros do viaduto que dá início à DF-003, mais conhecida como Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia). Tudo começou quando dois caminhões deslizaram na pista sentido Sobradinho- Brasília. Não houve colisão, mas o incidente provocou grande retenção no trânsito.
Com a redução da velocidade, nove carros sofreram um engavetamento, entre os quais uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que levava a paciente Ana Maria Barbosa, de 43 anos, para um atendimento cardiológico no Hospital de Base. Maria tinha acabado de sofrer um infarto e teve a coluna machucada, com a batida. Ela foi transferida para
outra ambulância e encaminhada ao hospital. Outras duas vítimas foram socorridas devido
ao acidente. Audrey Pacheco Vieira, de 36 anos, foi levada pelos bombeiros ao Hospital
de Base com traumatismo crânio-encefálico.
Ela tinha escoriações na testa e teve uma perda momentânea de memória. Já Fernanda Savi,
de 29 anos, foi levada ao Hospital Regional de Sobradinho com as pernas e boca machucadas
e dores pelo corpo.
O veículo de Audrey Pacheco, um Golf preto placa JGQ 1997, atingido pela ambulância do Samu, foi o mais prejudicado. “Eu tinha acabado de sair de uma subida, mas estava devagar, a 60km/h. Quando eu vi que o trânsito estava parado, não tive como segurar o veículo. Estava chovendo, o carro aquaplanou e eu perdi o controle”, explicou o motorista da ambulância,
Carlos Reis.
Segundo o policial militar der Feitosa, a pista não oferecia condições para o freio do veículo.
“Essa é a primeira chuva no local. A pista está cheia de óleo e sedimentos. É preciso muito cuidado”, alerta o soldado.