Cristina Sena
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O enterro de André Santos da Silva, 12 anos, morto enquanto era utilizado como escudo humano, está marcado para 17h de hoje no Cemitério do Gama. O corpo foi liberado na tarde de ontem, mas a mãe biológica da criança ainda terá que ir ao Instituto Médico-Legal (IML). Inconformada, a mãe de criação, Elvina Rodrigues, está sob efeito de calmantes.
A dor de perder alguém tão jovem e com tantos projetos a serem realizados se mistura ao trauma causado pela violência, em uma cidade onde, de acordo com o chefe da Seção de Investigação de Crimes Violentos da 33ª Delegacia de Polícia, Edivan Luiz, cerca de 80% das ocorrências são por crimes graves, como latrocínio, homicídio, estupro.
A briga entre gangues, geralmente motivada por tráfico de drogas, já fez muitas vítimas. “Não dá para dizer que em Santa Maria haja região sem assalto. O grande problema que enfrentamos aqui é o tráfico, que acaba resultando em crimes de menor potencial, como furto e roubo”, explica Edivan Luiz.
A Quadra 310, onde o menino morava, é considerada calma pelos policiais. Os moradores, no entanto, reclamam dos assaltos constantes, de tráfico e uso de entorpecentes no local. “Se a polícia ficasse aqui o dia inteiro ia prender muita gente. Só eu fui assaltado duas vezes”, relata um morador, que preferiu não se identificar. Ontem, o movimento na rua estava mais calmo. Na tarde anterior, carros passavam por lá em alta velocidade e uma moradora teve uma arma apontada em sua direção pelo condutor de um Gol branco.
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