Pedro Wolff
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Aos poucos, os chineses foram tomando o espaço antes ocupado pelos árabes na Feira dos Importados do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). A mudança no cenário provocou a reação da polícia, que, na quarta-feira, realizou uma megaoperação no local. No total, 24 boxes foram lacrados, mas ontem a maioria havia sido retirado pelos comerciantes. Muitos dos boxes foram abertos para retirada também de objetos pessoais.
Na quarta-feira, a Polícia Civil, em parceria com o Ministério da Justiça, deflagrou a Operação Hai-Dao (pirataria, no idioma Mandarim) e prendeu dois homens. Outros 28 são investigados, agora, pelos crimes de formação de quadrilha, descaminho (contrabando) e descumprimento da lei de propriedade de marcas e patentes. Todos poderão ser deportados do País, uma atitude inédita no País.
Descaminho
Os dois chineses presos em flagrante por descaminho, Chen Baomin, 45 anos, e Jin Jianguang, 55 anos, que moram na Quadra 605 do Cruzeiro Novo, possuem, segundo a polícia, passagens por formação de quadrilha e por crime contra a ordem tributária. Jin é considerado pelos investigadores o líder do esquema. Ambos, que respondiam a estes processos em liberdade, agora se encontram na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) à disposição da Justiça. A pena por descaminho pode chegar a quatro anos. O crime é afiançável apenas na esfera jurídica.
O delegado Giancarlos Zuliani Junior, da Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco), disse que diante da dificuldade do combate a este crime, o trabalho policial foi evoluindo da atuação criminal para a tributária e, agora, se avalia a necessidade de deportação daqueles que tiverem culpa comprovada. Muitos entraram ilegalmente no País e ganharam anistia. “Eles chegam em São Paulo e vão trocando de cidade à medida que o fisco aperta contra eles”, afirmou.