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Violência contra a mulher no Brasil registra um caso de agressão a cada 4 minutos

Dados do Ministério da Saúde afirmam que no Brasil a cada 4 minutos uma mulher é agredida por um homem.

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Dados do Ministério da Saúde afirmam que no Brasil a cada 4 minutos uma mulher é agredida por um homem. Violência se dá sobretudo em casa, com agressor conhecido. Em 2018 foram registrados 145 mil casos de violência contra a mulher, podendo ser agressão física, psicológica, sexual ou uma combinação delas. E se formos analisar as vítimas que faleceram esse número cresce mais, pois casos de feminicídio não são contabilizados nesse índice. Há também as mulheres que não fazem a denúncia por medo do agressor ou mesmo vergonha.

Rosana Reis, pedagoga e empresária mineira, é uma mulher que passou por essa situação. Ela foi violentada pelo marido, agredida verbal, psicológica e fisicamente por várias vezes quando se casou pela primeira vez, aos 22 anos. Então, anos se passaram e Rosana mudou-se para os Estados Unidos. Entretanto, pouco antes de ir, ela passou por um processo terapêutico intenso e doloroso que contribuiu muito para que recuperasse sua autoconfiança e autoestima, e para que pudesse falar sobre o que havia sofrido dentro de sua própria casa. “Enfim aprendi a me amar, a entender e a aceitar o que havia acontecido comigo e pude perdoar a mim mesma e a todos a quem eu delegava algum tipo de culpa”, destaca.

Com a intenção de elaborar melhor seu passado, Rosana decidiu escrever o que que não tinha coragem de contar às pessoas. Começou a registrar tudo e mostrou para algumas amigas, que gostaram e pediram para saber mais. Ela passou a chamar tais relatos de livro e se dedicou mais àquele trabalho. Dessa forma nasceu Vida e Verdade: Uma Experiência de Amor, Libertação e Coragem, publicado pela Editora Albatroz.

Inspiração

Vida e Verdade é um romance baseado em fatos reais que retrata a história de Paula, uma jovem que deseja construir uma família feliz. Eventualmente, não foi o que encontrou em Bruno, seu marido. Assim, Paula revela como sobreviveu ao casamento marcado por abusos e violência, e como, ao se reconhecer completa em si mesma, se permitiu viver.

Rosana compreendeu que, inegavelmente, sua história é a mesma que a de milhares de mulheres. “A princípio, acredito que devemos ajudá-las a se conscientizarem da real situação que vivem. Todas nós precisamos nos perguntar: Quem sou eu? O que eu quero para a minha vida? Estou feliz assim? Como posso mudar? Qual é o meu propósito? O que estou permitindo que façam comigo? Por quê? Como posso dar o primeiro passo para uma vida melhor? Como posso alcançar a felicidade?” 

Passado

Entretanto, revelar fatos sobre seu passado não foi fácil. “A coragem para escrever veio da vontade de quebrar o silêncio, de tentar fazer com que outras mulheres que sofreram ou que sofrem algum tipo de abuso, que são violentadas pelas pessoas que supostamente deveriam amá-las ou protegê-las, entendam o que está acontecendo”, destaca. Rosana deseja expor sua vida para que quem vive o mesmo possa entender que se ela conseguiu seguir em frente, todas podem, vivendo um dia de cada vez.

Segundo ela, no começo parecia divertido escrever, contando sua infância, falando das boas lembranças. “Mas tudo que parecia estar esquecido começou a emergir. E com as lembranças tristes vieram também os sentimentos, aqueles que, pouco a pouco, fizeram com que eu me perdesse de mim mesma”, afirma Rosana. Ela ainda acrescenta que algumas vezes, principalmente quando narrava um acontecimento envolvendo os filhos, chorava muito. “Assim, ficava meio paralisada e passava semanas sem coragem de voltar a escrever”. Então, com a ajuda de uma amiga que a motivou, chegou ao final de Vida e Verdade. “Eu consegui concluir quando entendi que enquanto houver vida, não haverá um final. Pois viver é um processo onde temos a chance de recomeçar todos os dias, escrevendo novas histórias, renovando as nossas ideias e os nossos sonhos”, finaliza.

Estadão Conteúdo


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