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Brasil

Indígenas lutam por territórios e direitos humanos

1ª Marcha das Mulheres Indígenas reúne em Brasília duas mil representantes de cerca de cem povos de todos os cantos do país

Publicado

em

Pedro Marra
redacao@grupojbr.com

Com o tema “Território: nosso corpo, nosso espírito”, a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas reúne desde a última sexta-feira (9) – Dia Internacional dos Povos Indígenas – , no gramado da Funarte, em Brasília, cerca de 2 mil mulheres de mais de cem povos indígenas de todos os estados do país. O grupo fica até quarta-feira (14) na capital federal.

O objetivo do encontro é dar visibilidade à luta pelos direitos dos povos indígenas. Boa parte dos participantes veio de ônibus de outros estados, em caravana.

Ontem, a manifestação contou com palestras, debates e atividades culturais à noite. Nos próximos dias haverá mobilização pela saúde e educação indígenas.

Além disso, as mulheres indígenas vão se unir à Marcha das Margaridas, em que se espera mais de cem mil camponesas.

Protagonismo

Eliana Polino Cacau, 43 anos, veio da tribo Gavião, no município de Amaranto (MA). Além de vender artesanato e fazer pintura corporal, ela participa da mobilização de forma ativa. “Viemos defender nosso território e direitos, igual a todas as outras mulheres que não são indígenas. O governo tem de ver o nosso lado, pois vivemos da caça, dos alimentos da mata”, protesta.

Para Sonia Guajajara, 45 , coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) – grupo que organiza a marcha –, a união das mulheres é essencial para garantir protagonismo.

“É importante essa luta de garantia do território, porque isso também garante a vida. A gente se junta à Marcha das Margaridas para fortalecer essa unidade de mulheres. A bandeira de luta maior é o território”, afirma.

Vinda da Colônia Curupaiti, na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), Luakana Anambé, 51 anos, está em Brasília com um único objetivo: ter voz.

“Se uma branca tem o direito de agir e mostrar o que ela quer, nós indígenas também temos o mesmo direito. Antes de tudo, a gente quer ser ouvida”, opina.

Genocídio

Em setembro de 2018, o Brasil foi denunciado na Organização das Nações Unidos (ONU) por “risco de genocídio” ao povo indígena. A acusação foi feita pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) durante reunião do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

Segundo a própria ONU, a população indígena brasileira diminuiu de 4% para 0,4% entre 1872 e 2010.

Um dos pontos principais da denúncia alega os riscos à população Guarani-Kaiowá, especialmente em Dourados (MS).

De acordo com o Cimi, a taxa de homicídio do povo Guarani-Kaiowá na cidade é de 88 para cada cem mil pessoas – quase o triplo da taxa média do Brasil.


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