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Alunos de baixa renda carecem de recursos com EAD ‘não tem internet, não tem celular’

“É muito difícil, porque não é a mesma coisa. Falta muito material, a gente estuda com um celular só e a internet às vezes falta muito”, relata uma das estudantes

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Foto: Reprodução/TV
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A estudante da rede estadual Maria Eduarda dos Santos de Lima, de 13 anos, mora com a avó em Ribeirão Preto-SP. Maria é uma das alunas que enfrenta dificuldades com a educação remota. Ela precisa dividir o celular com os irmãos e o acesso à internet é limitado.

“É muito difícil, porque não é a mesma coisa. Falta muito material, a gente estuda com um celular só e a internet às vezes falta muito”, relatou a Maria Eduarda ao Portal G1.

A instituição de ensino onde Maria estuda é uma das que tenta empregar o modelo de educação à distância. No entanto, com dificuldade de acesso a recursos como internet e equipamentos eletrônicos, o modelo se torna inacessível para muito alunos.

A dirigente regional de Ensino em Ribeirão Preto, Darlene Stocco Colonese Gonçalves, explica que será realizado um diagnóstico com o intuito de avaliar a situação de cada estudante que não conseguiu acompanhar o plano pedagógico. A análise pretende evitar a evasão de alunos e garantir a recuperação dos conteúdos perdidos. 

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Um estudo realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic) avalia que 96,5% dos estudantes com renda mais alta possuem acesso à internet em suas casas, já entre os mais pobres 59% não têm acesso.

No bairro onde Maria Eduarda mora com a avó, Maria Margarida dos Santos de Lima, e os irmãos, o sinal de internet nem sempre chega. O único aparelho celular da família fica com a avó, que trabalha fora. Dessa forma, os netos precisam aguardar a chegada de Margarida para poderem utilizar o aparelho.

“Não tem internet, não tem celular e não tem condição de comprar, porque ganho muito pouco, o que ganho dá pra comprar alimentação. Eles ficam brigando, mas como vão fazer se não tem um celular, um tablet, nada?”, afirmou a auxiliar de limpeza.

Para o educador José Eduardo de Oliveira, as diferenças sociais existentes no Brasil podem ficar ainda mais acentuadas devido à falta de acesso aos recursos cobrados pela educação remota. Eduardo explica que algumas ações emergenciais são realizadas, mas não chegam a todos da mesma forma.

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A assistente social Ana Paula Cavalcanti, que trabalha em Ribeirão Preto, conta que muitos alunos dependiam da merenda escolar para ter acesso a primeira refeição do dia. O alimento é considerado um luxo em parte das 130 famílias de baixa renda que ela acompanha na região.

“No início da pandemia, as famílias ficaram muito preocupadas com o próprio sustento e essa preocupação passa para as próprias crianças, que às vezes não têm o próprio alimento, acordam e não têm o café-da-manhã, o almoço, a janta. Essas crianças vivem em um mundo paralelo, vivem com preocupação de adultos”, disse.




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