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Taxa de recusa do visto americano variou de 3,2% a 23,16% em 20 anos

Levantamento baseado em dados oficiais dos Estados Unidos mostra que o Brasil viveu uma forte queda nas negativas até 2014, atingiu o recorde da série em 2020 e encerrou 2025 com 14,87% dos pedidos B1/B2 recusados

Redação Jornal de Brasília

29/07/2026 11h24

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A taxa de recusa do visto americano de turismo e negócios para brasileiros passou por mudanças expressivas nas últimas duas décadas. Depois de alcançar os menores valores da série em 2012 e 2014, o índice subiu, chegou ao pico em 2020 e passou a oscilar em um patamar intermediário após a pandemia.

Os números fazem parte de um levantamento da Viaggi Vistos, elaborado a partir das tabelas anuais de taxa ajustada de recusa publicadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. A compilação reúne os anos fiscais de 2006 a 2025, com metodologia, arquivos oficiais, série em CSV e gráficos disponíveis para consulta e reprodução.

No ano fiscal de 2025, a taxa ajustada de recusa dos vistos da categoria B para brasileiros foi de 14,87%. O resultado representa uma pequena melhora em relação a 2024, quando o índice havia chegado a 15,48%, mas continua acima dos 11,94% registrados em 2023.

Em termos aproximados, o resultado de 2025 equivale a uma recusa para cada sete solicitantes considerados na métrica oficial. O percentual não representa a probabilidade individual de uma pessoa ser aprovada ou recusada. Trata-se de uma estatística agregada por nacionalidade e ano fiscal.

Os principais marcos da série brasileira são:

Ano fiscalTaxa ajustada de recusaDestaque
200613,2%Início da série analisada
20123,2%Menor taxa da série
20143,2%Menor taxa da série, novamente
20155,36%Último ano antes da mudança de patamar
201616,7%Maior aumento anual do período
202023,16%Recorde de recusa
202311,94%Menor índice desde 2014
202415,48%Nova alta
202514,87%Leve recuo

A série histórica apresenta três períodos distintos

Entre 2006 e 2014, a taxa brasileira caiu de 13,2% para 3,2%. O movimento colocou o país muito próximo do limite de 3% associado ao critério estatístico do Visa Waiver Program, programa que permite viagens de turismo ou negócios sem visto para cidadãos de países participantes.

A tendência mudou em 2016. Em apenas um ano, a taxa saltou de 5,36% para 16,7%. Depois disso, permaneceu acima de 12% e chegou a 23,16% em 2020, o maior valor das duas décadas analisadas.

De 2021 a 2025, ocorreu uma acomodação. Nesse período, a taxa brasileira variou entre 11,94% e 15,48%. O comportamento recente, portanto, não é de alta ou queda contínua. Os dados mostram oscilações dentro de uma faixa significativamente superior aos mínimos registrados entre 2011 e 2014.

O que significa a taxa ajustada de recusa

A estatística utilizada é a “Adjusted Refusal Rate, B-Visas Only, by Nationality”. Ela considera os vistos da categoria B, destinados principalmente a viagens temporárias de turismo e negócios, e organiza o resultado pela nacionalidade do solicitante.

O cálculo oficial evita contar várias vezes a mesma pessoa no mesmo ano fiscal. Quando um solicitante faz mais de um pedido, o Departamento de Estado considera apenas a situação em que ele encerrou aquele ano. Assim, quem teve uma recusa inicial, apresentou novas informações e posteriormente recebeu o visto é contabilizado pelo resultado final.

Segundo a metodologia oficial do Departamento de Estado dos EUA, a taxa ajustada corresponde ao total de recusas, descontados os casos superados, dividido pela soma de emissões e recusas, também descontados os casos superados.

Brasil continua abaixo do cenário internacional

Embora o índice brasileiro tenha aumentado em comparação com os melhores anos da série, ele continua abaixo de grande parte das nacionalidades analisadas. Em 2025, a média simples das taxas nacionais ficou em 34,3%, mais que o dobro dos 14,87% registrados pelo Brasil.

Considerando a média de 2006 a 2025, o Brasil apresentou taxa de 10,7%. No ranking de 186 nacionalidades ordenadas da maior para a menor recusa, o país aparece na 152ª posição. Isso significa que a taxa brasileira foi inferior à observada em aproximadamente 81% das nacionalidades incluídas no levantamento.

A comparação exige cautela. Países participantes do Visa Waiver Program possuem uma dinâmica diferente, pois a maior parte de seus cidadãos viaja sem solicitar o visto B. Além disso, condições econômicas, histórico migratório e perfil dos solicitantes variam de um país para outro.

Taxa nacional não determina o resultado individual

A série histórica ajuda a entender tendências, mas não funciona como uma previsão para um pedido específico. A análise consular é individual e considera o conjunto de informações apresentado pelo solicitante, incluindo finalidade da viagem, situação profissional e financeira, vínculos com o país de residência, histórico de viagens e consistência das respostas.

Também não existe uma cota pública de aprovações ou recusas por dia. Uma taxa de 14,87% não significa que o consulado precise negar essa proporção em cada posto ou período. Ela é o resultado consolidado de todas as decisões consideradas na métrica durante o ano fiscal.

Dados abertos permitem acompanhar novas mudanças

O levantamento disponibiliza a série brasileira em CSV, os documentos oficiais utilizados em cada ano fiscal, a metodologia completa e gráficos em alta resolução. A organização desse material permite que pesquisadores, jornalistas e viajantes consultem a fonte original e atualizem a análise quando novos dados forem publicados.

A série de 20 anos mostra que a taxa de recusa pode mudar rapidamente, mas também coloca o momento atual em perspectiva. O índice de 2025 ficou muito acima dos mínimos de 2012 e 2014, porém permaneceu abaixo do recorde de 2020 e do patamar observado em grande parte do mundo.

Fonte: levantamento da Viaggi Vistos com dados oficiais do U.S. Department of State, Bureau of Consular Affairs, referentes à “Adjusted Refusal Rate, B-Visas Only, by Nationality”, anos fiscais de 2006 a 2025.

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