A taxa de recusa do visto americano de turismo e negócios para brasileiros passou por mudanças expressivas nas últimas duas décadas. Depois de alcançar os menores valores da série em 2012 e 2014, o índice subiu, chegou ao pico em 2020 e passou a oscilar em um patamar intermediário após a pandemia.
Os números fazem parte de um levantamento da Viaggi Vistos, elaborado a partir das tabelas anuais de taxa ajustada de recusa publicadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. A compilação reúne os anos fiscais de 2006 a 2025, com metodologia, arquivos oficiais, série em CSV e gráficos disponíveis para consulta e reprodução.
No ano fiscal de 2025, a taxa ajustada de recusa dos vistos da categoria B para brasileiros foi de 14,87%. O resultado representa uma pequena melhora em relação a 2024, quando o índice havia chegado a 15,48%, mas continua acima dos 11,94% registrados em 2023.
Em termos aproximados, o resultado de 2025 equivale a uma recusa para cada sete solicitantes considerados na métrica oficial. O percentual não representa a probabilidade individual de uma pessoa ser aprovada ou recusada. Trata-se de uma estatística agregada por nacionalidade e ano fiscal.
Os principais marcos da série brasileira são:
| Ano fiscal | Taxa ajustada de recusa | Destaque |
| 2006 | 13,2% | Início da série analisada |
| 2012 | 3,2% | Menor taxa da série |
| 2014 | 3,2% | Menor taxa da série, novamente |
| 2015 | 5,36% | Último ano antes da mudança de patamar |
| 2016 | 16,7% | Maior aumento anual do período |
| 2020 | 23,16% | Recorde de recusa |
| 2023 | 11,94% | Menor índice desde 2014 |
| 2024 | 15,48% | Nova alta |
| 2025 | 14,87% | Leve recuo |
A série histórica apresenta três períodos distintos
Entre 2006 e 2014, a taxa brasileira caiu de 13,2% para 3,2%. O movimento colocou o país muito próximo do limite de 3% associado ao critério estatístico do Visa Waiver Program, programa que permite viagens de turismo ou negócios sem visto para cidadãos de países participantes.
A tendência mudou em 2016. Em apenas um ano, a taxa saltou de 5,36% para 16,7%. Depois disso, permaneceu acima de 12% e chegou a 23,16% em 2020, o maior valor das duas décadas analisadas.
De 2021 a 2025, ocorreu uma acomodação. Nesse período, a taxa brasileira variou entre 11,94% e 15,48%. O comportamento recente, portanto, não é de alta ou queda contínua. Os dados mostram oscilações dentro de uma faixa significativamente superior aos mínimos registrados entre 2011 e 2014.
O que significa a taxa ajustada de recusa
A estatística utilizada é a “Adjusted Refusal Rate, B-Visas Only, by Nationality”. Ela considera os vistos da categoria B, destinados principalmente a viagens temporárias de turismo e negócios, e organiza o resultado pela nacionalidade do solicitante.
O cálculo oficial evita contar várias vezes a mesma pessoa no mesmo ano fiscal. Quando um solicitante faz mais de um pedido, o Departamento de Estado considera apenas a situação em que ele encerrou aquele ano. Assim, quem teve uma recusa inicial, apresentou novas informações e posteriormente recebeu o visto é contabilizado pelo resultado final.
Segundo a metodologia oficial do Departamento de Estado dos EUA, a taxa ajustada corresponde ao total de recusas, descontados os casos superados, dividido pela soma de emissões e recusas, também descontados os casos superados.
Brasil continua abaixo do cenário internacional
Embora o índice brasileiro tenha aumentado em comparação com os melhores anos da série, ele continua abaixo de grande parte das nacionalidades analisadas. Em 2025, a média simples das taxas nacionais ficou em 34,3%, mais que o dobro dos 14,87% registrados pelo Brasil.
Considerando a média de 2006 a 2025, o Brasil apresentou taxa de 10,7%. No ranking de 186 nacionalidades ordenadas da maior para a menor recusa, o país aparece na 152ª posição. Isso significa que a taxa brasileira foi inferior à observada em aproximadamente 81% das nacionalidades incluídas no levantamento.
A comparação exige cautela. Países participantes do Visa Waiver Program possuem uma dinâmica diferente, pois a maior parte de seus cidadãos viaja sem solicitar o visto B. Além disso, condições econômicas, histórico migratório e perfil dos solicitantes variam de um país para outro.
Taxa nacional não determina o resultado individual
A série histórica ajuda a entender tendências, mas não funciona como uma previsão para um pedido específico. A análise consular é individual e considera o conjunto de informações apresentado pelo solicitante, incluindo finalidade da viagem, situação profissional e financeira, vínculos com o país de residência, histórico de viagens e consistência das respostas.
Também não existe uma cota pública de aprovações ou recusas por dia. Uma taxa de 14,87% não significa que o consulado precise negar essa proporção em cada posto ou período. Ela é o resultado consolidado de todas as decisões consideradas na métrica durante o ano fiscal.
Dados abertos permitem acompanhar novas mudanças
O levantamento disponibiliza a série brasileira em CSV, os documentos oficiais utilizados em cada ano fiscal, a metodologia completa e gráficos em alta resolução. A organização desse material permite que pesquisadores, jornalistas e viajantes consultem a fonte original e atualizem a análise quando novos dados forem publicados.
A série de 20 anos mostra que a taxa de recusa pode mudar rapidamente, mas também coloca o momento atual em perspectiva. O índice de 2025 ficou muito acima dos mínimos de 2012 e 2014, porém permaneceu abaixo do recorde de 2020 e do patamar observado em grande parte do mundo.
Fonte: levantamento da Viaggi Vistos com dados oficiais do U.S. Department of State, Bureau of Consular Affairs, referentes à “Adjusted Refusal Rate, B-Visas Only, by Nationality”, anos fiscais de 2006 a 2025.