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Durante muito tempo, Sousa construiu sua fama nacional em torno de um patrimônio único: as pegadas de dinossauros que transformaram a cidade sertaneja em uma referência mundial da paleontologia. Agora, sem abrir mão desse legado, o município paraibano começa a chamar atenção por uma razão completamente diferente: a produção de vinhos finos em pleno semiárido nordestino.
Se João Pessoa se consolidou nos últimos anos como um dos destinos turísticos mais desejados do Brasil, atraindo visitantes de todas as regiões do país, a Paraíba passa a colecionar outros exemplos de iniciativas capazes de projetar o estado além de suas fronteiras. Uma delas ganhou destaque neste fim de semana com a realização do Sousa Wine Festival, evento que reuniu apreciadores da bebida, empresários, produtores e visitantes interessados em conhecer uma experiência que poucos imaginariam encontrar no sertão paraibano.
À primeira vista, falar em vinhos finos produzidos na Paraíba pode soar improvável. Mas é justamente essa quebra de paradigmas que vem chamando a atenção para a Vinícola Chateau HS Vinhos de Boutique, empreendimento inaugurado em 2023 pelo casal Herta Sônia e Jarismar Gonçalves.
Instalada no Perímetro Irrigado de São Gonçalo, a vinícola nasceu a partir de uma aposta que muitos considerariam ousada: provar que o solo sertanejo, aliado à tecnologia e ao conhecimento técnico, poderia produzir uvas de alta qualidade para a elaboração de vinhos finos.
A iniciativa foi muito além da simples plantação de videiras. Estudos de solo, análises hidrológicas e modernos sistemas de irrigação permitiram o cultivo de variedades consagradas internacionalmente, como Malbec, Syrah, Tannat e Touriga Nacional, castas tradicionalmente associadas a algumas das mais importantes regiões vinícolas do mundo.
O resultado começa a aparecer não apenas nas garrafas, mas também na crescente curiosidade despertada pelo projeto. O Sousa Wine Festival mostrou que o vinho pode se transformar em mais um atrativo turístico para o sertão paraibano, agregando valor à economia local e criando novas possibilidades de negócios para a região.
Durante o evento, visitantes participaram de degustações, visitas aos vinhedos e experiências gastronômicas que combinaram a culinária regional com a cultura do vinho. A proposta segue uma tendência já consolidada em diversas regiões produtoras do Brasil e do exterior: transformar a produção vitivinícola em uma experiência turística completa.
Os próprios rótulos ajudam a contar a história do empreendimento. O Nozze D’Argento celebra as bodas de prata dos fundadores da vinícola. Já o Abelisaurus faz uma homenagem direta ao patrimônio mais famoso de Sousa, ligando o universo do vinho à identidade da Cidade dos Dinossauros.
E talvez seja justamente essa combinação que torne o projeto tão interessante. Em uma mesma cidade convivem vestígios de animais que habitaram a Terra há cerca de 140 milhões de anos e uma atividade econômica moderna, baseada em inovação, tecnologia e empreendedorismo.
Num momento em que a Paraíba ganha visibilidade nacional por suas praias, pela qualidade de vida e pelo crescimento do turismo, iniciativas como a da vinícola de Sousa mostram que o estado também pode surpreender em áreas onde poucos imaginariam encontrá-lo. Afinal, nem todo mundo espera encontrar grandes vinhos no sertão. E talvez seja exatamente por isso que a experiência esteja despertando tanta atenção dentro e fora da Paraíba.