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Saber nadar salva vidas: especialista explica por que a educação aquática deve ser prioridade

O afogamento segue como uma das principais causas de morte acidental no mundo, especialmente entre crianças

Redação Jornal de Brasília

05/11/2025 13h35

Atualizada 05/05/2026 14h23

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Há uma ideia ainda de que aprender a nadar pertence ao universo do esporte, do lazer ou da estética. Mas os números contam outra história. O afogamento segue como uma das principais causas de morte acidental no mundo, especialmente entre crianças.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 236 mil pessoas morrem por afogamento a cada ano globalmente, sendo que grande parte dessas vítimas está em países de média e baixa renda. No Brasil, dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) indicam que o afogamento é a segunda principal causa de morte acidental entre crianças de 1 a 4 anos.

A leitura desses dados desloca o debate: nadar deixa de ser uma habilidade opcional e passa a ser uma competência essencial de sobrevivência.

Ainda assim, o acesso à educação aquática de qualidade permanece desigual, restrito a determinados contextos socioeconômicos e, muitas vezes, desconectado de políticas públicas estruturadas.

É nesse ponto que especialistas defendem uma mudança de abordagem: mais do que ensinar estilos de nado, é necessário promover uma cultura de segurança na água. Isso inclui noções de risco, autocontrole, leitura de ambientes aquáticos e desenvolvimento da confiança, fatores que, juntos, podem reduzir significativamente os índices de afogamento.

Entre as vozes que têm contribuído para essa discussão está a brasileira Alexandra Vaz Cerbino, profissional de educação aquática, ex-atleta de alto rendimento e pesquisadora na área de cinesiologia. Aos 23 anos, Alexandra construiu uma trajetória que combina excelência acadêmica, formada com honras máximas (Summa Cum Laude) pela Emmanuel University, nos Estados Unidos, e desempenho esportivo de elite, com títulos individuais, recordes universitários e reconhecimento como All-American da NCAA.

Sua relação com a água começou no esporte competitivo, mas evoluiu para um compromisso mais amplo.

“Ao longo da minha trajetória no esporte, percebi que saber nadar não é apenas uma habilidade esportiva, mas também uma ferramenta fundamental de segurança e saúde pública”, afirma a profissional.

Hoje, como fundadora da Starfish Swim Academy, em Miami, Alexandra atua diretamente na formação de crianças entre 2 e 12 anos, desenvolvendo programas personalizados que vão além da técnica. Sua metodologia integra princípios de desenvolvimento motor, consciência corporal e adaptação ao meio líquido, inclusive para crianças com necessidades especiais.

“Quando falamos em prevenção de afogamentos, estamos falando de educação precoce. A criança que entende o próprio corpo na água, que aprende a respeitar limites e reconhecer riscos, carrega isso para a vida inteira”, explica.

A experiência prática de Alexandra conversa diretamente com evidências científicas. Estudos publicados por instituições como a própria OMS e a UNICEF apontam que programas de ensino de natação aliados à educação em segurança aquática podem reduzir o risco de afogamento em até 88% entre crianças. No entanto, esses programas ainda não são amplamente implementados em larga escala, especialmente em regiões mais vulneráveis.

Além da atuação como instrutora, Alexandra possui uma base sólida em pesquisa. Seu projeto acadêmico mais recente investigou os efeitos do exercício físico em idosos com doença de Parkinson, evidenciando melhorias significativas em mobilidade, equilíbrio e qualidade de vida, trabalho que lhe rendeu o primeiro lugar em um simpósio científico universitário.

No esporte, sua carreira também é marcada por consistência e impacto. Campeã da Conference Carolinas em múltiplas provas, detentora de recordes institucionais e premiada diversas vezes como “Swimmer of the Week”, Alexandra representa uma geração de atletas que transitam com fluidez entre performance e propósito. Sua participação em competições nacionais de triathlon e sua liderança em equipes universitárias reforçam esse perfil multidisciplinar.

Acesso à educação aquática

Ainda falando sobre Alexandra, é fora das competições que sua atuação ganha contornos ainda mais amplos. Para ela, democratizar o acesso à educação aquática é um dos grandes desafios contemporâneos.

“A prevenção de afogamentos ainda é um problema silencioso. Não recebe a mesma atenção que outras questões de saúde pública, mas impacta milhares de famílias todos os anos”, acrescenta.

Essa percepção encontra respaldo em especialistas da área, que apontam a necessidade de integrar a educação aquática a currículos escolares, programas comunitários e políticas de saúde preventiva. Países que adotaram medidas nesse sentido, como a Austrália, registraram quedas significativas nas taxas de afogamento ao longo das últimas décadas.

No Brasil, iniciativas ainda são pontuais, muitas vezes dependentes de projetos sociais ou ações isoladas. A ausência de uma política nacional estruturada evidencia uma lacuna que vai além da infraestrutura: trata-se de conscientização.

A verdade é que a discussão sobre educação aquática revela algo maior do que o domínio de técnicas de nado. Trata-se de garantir autonomia, reduzir desigualdades e, sobretudo, preservar vidas. Em um cenário onde a água está presente na vida de todos, saber lidar com esse elemento deixa de ser privilégio e se torna necessidade.

A fala de Alexandra mostra essa urgência. “Ampliar o acesso à educação aquática de qualidade não é apenas uma questão esportiva, é uma estratégia de prevenção e desenvolvimento humano. E, talvez, um dos caminhos mais diretos para preservar muitas histórias”, finaliza a especialista.

Vinicius Alonso
Especial para o Jornal de Brasília

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