O setor da construção civil brasileiro vive um dos momentos de maior pressão de custos dos últimos anos. A escalada dos preços internacionais de commodities, intensificada pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, já se reflete no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que registra impactos diretos em materiais como derivados de petróleo, resinas, polímeros e aço. Somam-se a esse quadro a taxa Selic em patamar restritivo, a retração do crédito imobiliário pelo sistema SBPE e as incertezas sobre os efeitos da reforma tributária nos custos de produção a partir de 2027, projetados pelo Secovi-SP em no mínimo 7% a 8% de elevação. Para quem está planejando construir ou reformar, o cenário exige mais do que boa vontade: exige escolher bem com quem trabalhar.
Nesse contexto, a escolha da empresa executora passa a ser um dos poucos fatores realmente sob controle do contratante. Empresas que oferecem projetos de engenharia Londrina com escopo técnico completo, desde o projeto estrutural e elétrico até as exigências de prevenção de incêndio e regularização junto aos órgãos competentes, reduzem significativamente a exposição do cliente às variações de custo e aos riscos de paralisação. Enquanto a volatilidade dos insumos, os juros do financiamento e a carga tributária são variáveis externas, a qualidade do planejamento técnico e a clareza do cronograma físico-financeiro são critérios que o contratante pode e deve exigir antes de assinar qualquer documento.
O que o aquecimento do setor esconde
O mercado imobiliário se manteve resiliente em 2025, apesar das taxas de juros ainda elevadas. No quarto trimestre do ano passado, foram lançadas 133,8 mil unidades de imóveis, crescimento de 6,4% em relação a igual período do ano anterior. Esse aquecimento, celebrado pelos índices do setor, tem um lado menos discutido: o aumento da demanda acelerou a entrada de novos players no mercado, nem todos com a estrutura técnica, financeira e operacional necessária para honrar contratos em um ambiente de custos crescentes.
O mercado de trabalho na construção civil também apresentou resultados positivos em todos os segmentos. Entre janeiro e outubro de 2024, mais de 230 mil novas vagas formais foram criadas. Esse crescimento no número de trabalhadores, embora positivo para o setor, também reflete a rápida expansão de empresas que contratam mão de obra sem o correspondente investimento em gestão, segurança e treinamento. Para o contratante final, isso significa um risco real de entregar a obra para uma equipe tecnicamente despreparada para lidar com as exigências normativas e com a complexidade dos projetos contemporâneos.
O cenário macroeconômico exige, portanto, que o critério de escolha de uma construtora vá muito além do orçamento mais baixo. Em um ambiente onde os custos de insumos são imprevisíveis, contratos mal redigidos e cronogramas irrealistas tornam-se passivos que o contratante carrega sozinho.
Cinco critérios que separam construtoras sérias das demais
1. Registro ativo no CREA e responsável técnico designado
O registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) é requisito legal mínimo, mas sua verificação ainda é negligenciada por grande parte dos contratantes. Mais do que o registro da empresa, é preciso confirmar quem é o responsável técnico da obra específica, com qual registro profissional e com que frequência estará presente no canteiro. A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) deve ser emitida antes do início dos serviços e entregue ao contratante. Construtoras que resistem a essa exigência operam fora da regulação e transferem ao dono da obra todos os riscos jurídicos e de segurança.
2. Contrato com escopo técnico detalhado e cronograma físico-financeiro
Em um cenário de pressão de custos, construtoras despreparadas tendem a usar contratos vagos como válvula de escape para justificar aditivos, substituições de materiais e atrasos. Um contrato robusto deve especificar, por escopo de serviço, quais materiais serão utilizados, com marca de referência ou especificação técnica equivalente, o cronograma detalhado por etapa de obra, as condições de medição e pagamento vinculadas ao avanço físico e as cláusulas de penalidade por descumprimento. Qualquer cláusula que permita substituição de material “similar” sem aprovação expressa do contratante é uma porta aberta para redução da qualidade sem redução do preço.
3. Portfólio verificável e disponibilidade de referências ativas
Obras entregues são o currículo de uma construtora. Empresas com histórico real de entregas apresentam portfólio com endereços, tipologias de obra e, na maioria dos casos, disponibilidade de contato com clientes anteriores. A visita presencial a ao menos uma obra concluída é altamente recomendável: ela permite avaliar o padrão de acabamento, a organização do canteiro e o nível de satisfação do cliente. Em um mercado aquecido, onde novas empresas surgem rapidamente, a ausência de portfólio verificável é um sinal de alerta que não deve ser ignorado.
4. Conformidade com a NR-18 e gestão de segurança do trabalho
A Norma Regulamentadora 18 do Ministério do Trabalho estabelece os padrões mínimos de segurança e saúde para canteiros de obras. O descumprimento dessas normas não é apenas um risco para os trabalhadores: é também um passivo jurídico direto para o contratante da obra, que pode responder solidariamente em processos trabalhistas decorrentes de acidentes ocorridos nas dependências do imóvel. Verifique se a empresa possui Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), se os trabalhadores utilizam EPIs regularmente e se há documentação de treinamento de segurança atualizada para a equipe.
5. Capacidade de absorção de variações de custo sem transferência abrupta ao contratante
Esse critério é especialmente relevante no contexto atual. A volatilidade internacional dificulta o planejamento financeiro das empresas, a formação de preços e a negociação com fornecedores. Construtoras estruturadas lidam com essa variabilidade por meio de contratos com cláusulas de reajuste indexadas a índices setoriais transparentes, como o INCC, e com planejamento de compra de insumos por etapa. Empresas sem essa capacidade de gestão tendem a transferir os custos não previstos ao contratante por meio de aditivos contratuais informais ou, pior, paralisar a obra quando o orçamento original se esgota.
O papel das entidades setoriais na proteção do contratante
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) disponibiliza ao público índices setoriais, guias de boas práticas e informações sobre os direitos do consumidor em contratos de construção. Consultar esses materiais antes de assinar qualquer contrato é uma prática que custa tempo e não custa dinheiro, mas que pode evitar prejuízos significativos. O Código Civil brasileiro, nos artigos 618 e 619, estabelece que construtores respondem por vícios de solidez e segurança da obra por cinco anos após a entrega, o que reforça a importância de contratar empresas com estrutura jurídica formal e capacidade de honrar essa responsabilidade ao longo do tempo.
Construção no interior do Paraná: um mercado em expansão que exige atenção redobrada
São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina são os cinco estados com maior criação de empregos na construção civil. O Paraná, em particular, tem experimentado um crescimento expressivo na demanda por obras residenciais e comerciais em cidades do interior, impulsionado pela descentralização econômica e pelo aumento do poder de compra em municípios fora das capitais. Esse movimento positivo também acelera a proliferação de empresas sem estrutura adequada tentando capturar parte dessa demanda. Em mercados regionais aquecidos, a diligência na escolha da construtora é ainda mais crítica do que nos grandes centros, onde o histórico das empresas é mais facilmente verificável.
A construção civil continuará sendo um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira nos próximos anos, com ou sem pressão de custos externos. O que vai mudar, à medida que o mercado amadurece, é o nível de exigência do contratante. Quem já aprendeu a verificar registro, contrato, portfólio e gestão de segurança antes de assinar tem muito mais chance de ver a obra entregue conforme o combinado, no prazo e sem surpresas no orçamento.