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Vinícola Marchese: os vinhos que nascem no Cerrado e revelam uma nova identidade

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Cynthia Malacarne

24/04/2026 12h04

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Foto: Divulgação

Na última terça-feira (21), Brasília celebrou mais um aniversário. Uma cidade jovem, planejada, que nasceu de um sonho e se transformou em símbolo de modernidade e inovação. Mas, entre suas muitas vocações, uma vem ganhando cada vez mais força e surpreendendo até os mais céticos: a produção de vinhos.

É nesse cenário que surge a Vinícola Marchese, um projeto que une história familiar, técnica e uma leitura contemporânea do terroir do Cerrado.

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Foto: Divulgação

A origem da vinícola remonta à imigração italiana, em que o cultivo da uva fazia parte da vida cotidiana. Décadas depois, já em Brasília, os proprietários Fabricio Marchese e Renata Sanches decidiram resgatar essa tradição em um contexto completamente novo: o Cerrado de altitude.

O desafio não era pequeno. Produzir vinhos de qualidade fora das regiões clássicas exige não apenas coragem, mas conhecimento profundo. Foi justamente essa combinação que deu origem ao vinhedo, implantado em 2020, com uma convicção clara: o Cerrado tem potencial para grandes vinhos.

A escolha das uvas foi estratégica. Sauvignon Blanc, Syrah, Cabernet Franc, Primitivo e Chenin Blanc foram selecionadas com base na adaptação ao clima local, marcado pela altitude, grande amplitude térmica e inverno seco. Esse último fator, aliás, é determinante.

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Foto: Divulgação

Diferentemente das regiões tradicionais, no Cerrado a colheita acontece no inverno, graças à técnica da dupla poda. É nesse período seco que as uvas atingem maturação ideal, com excelente sanidade e concentração aromática. O resultado são vinhos que equilibram frescor, estrutura e expressão varietal.

Os primeiros rótulos, Sauvignon Blanc e Syrah, já nasceram com esse propósito: traduzir o Cerrado em taça. A resposta veio rapidamente. A qualidade chamou atenção, rendendo reconhecimento em concursos nacionais e internacionais e consolidando Brasília como uma nova fronteira do vinho brasileiro.

Hoje, a linha da Marchese reflete essa identidade. São vinhos de produção limitada, pensados de forma autoral: brancos vibrantes, tintos estruturados, um rosé elegante de Cabernet Franc e interpretações que exploram tanto frescor quanto complexidade.

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Foto: Divulgação

Mas é no espumante que a vinícola escreve um capítulo especial.

Elaborado com Chenin Blanc pelo método tradicional, o mesmo dos grandes espumantes do mundo, ele nasce no Cerrado de altitude a partir da colheita de inverno. Antes mesmo do lançamento oficial, já conquistou medalha de ouro na Grande Prova Vinhos do Brasil, reconhecimento que reforça o nível do projeto.

O simbolismo vai além da técnica. O lançamento foi pensado para acontecer justamente no aniversário de Brasília, conectando o vinho à história da cidade. A inspiração vem do ipê-branco, árvore símbolo da capital, que floresce em plena seca. Assim como ele, o espumante da Marchese é fruto de resiliência, uma expressão de beleza em condições desafiadoras.

Mais do que produzir vinhos, a Marchese participa de um movimento maior: o de afirmar Brasília como origem, e não apenas destino, no mapa do vinho.

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Foto: Divulgação

Os próximos passos são claros: crescer com consistência, manter a produção controlada e fortalecer a presença em restaurantes, lojas especializadas e experiências diretas com o consumidor, especialmente por meio do enoturismo.

No momento em que Brasília celebra sua história, brindar com um vinho nascido em seu próprio território ganha um novo significado.

Talvez seja esse o maior encanto dos vinhos do Cerrado: eles não contam apenas sobre solo e clima, mas sobre identidade, reinvenção e pertencimento.

E, ao que tudo indica, esse é apenas o começo.

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