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Don Melchor: uma história, um terroir e um vinho safra 2020

Semana passada, Brasília recebeu o enólogo desta vinícola Enrique Tirado que ofereceu um jantar no Restaurante Lago

Cynthia Malacarne

29/06/2023 15h33

Foto: Cynthia Malacarne

Todo apreciador de vinho se nunca provou, pelo menos já ouviu falar do vinho chileno Don Melchor, ícone da Viña Concha & Toro.

Semana passada, Brasília recebeu o enólogo desta vinícola Enrique Tirado que ofereceu um jantar no Restaurante Lago, para jornalistas e influenciadores, para apresentar a safra 2020 deste vinho emblemático.

Don Melchor possui uma linda história por trás de cada garrafa e é produzido em uma área no Chile considerada a melhor para o plantio da variedade de uva Cabernet Sauvigon, a região de Puente Alto. A primeira safra deste vinho foi em 1987 e o nome do vinho foi em homenagem ao fundador da vinícola Melchor Concha & Toro.

Garrafa de bebida

Descrição gerada automaticamente

Foto: Divulgação

Uma história

Em 1990, foi lançada a segunda safra Don Melchor, que foi eleito um dos 100 melhores vinhos do mundo, pela revista Wine Spectator. Algo histórico, não somente para o Chile, mas para toda América do Sul produtora de vinho.

O enólogo Enrique Tirado é responsável pela elaboração deste vinho desde 1997. Segundo Tirado, o vinho Don Melchor é a expressão do Cabernet Sauvignon do terroir de Puente Alto e da viticultura chilena. 

Em 2014, Don Melchor foi classificado mais uma vez como um dos 100 melhores vinhos do mundo. No ano de 2019 foi criada a vinícola independente para a elaboração desse vinho. O ano de 2018 foi memorável ao receber 100 pontos do crítico de vinhos Robert Parker.

Um terroir

O Vinho elaborado em vinho próprio, adquirido pela vinícola em 1968, na região de Puente Alto que permite Don Melchor com qualidade, graças às propriedades do solo, condições climáticas e proximidade com as Cordilheiras dos Andes. 

Uma das qualidades mais importantes do vinhedo corresponde às características de seu solo: pobre em nutrientes e de uma constituição diversa, está composto por argila, limo, areia, cascalho e pedras arredondadas produto da erosão milenar causada pelas geleiras que avançaram desde as montanhas em direção ao vale, arrastando material que logo deu origem aos terraços. Estes solos garantem uma boa drenagem e uma baixa fertilidade, o que ocasiona uma restrição no crescimento vegetativo das plantas, favorecendo a concentração e o amadurecimento natural dos cachos. 

A majestosa Cordilheira dos Andes constitui outro elemento crucial neste extraordinário terroir. Devido à influência fria, que se manifesta na forma de brisas frescas e de uma grande amplitude térmica entre o dia e a noite durante o período de amadurecimento, a maturação ocorre de forma lenta e homogênea com a conservação de uma acidez precisa, fruta vermelha fresca e uma maior concentração de cor, aromas e sabores nos cachos. 

O vinhedo está formado por 127 hectares, dos quais 90% correspondem a Cabernet Sauvignon, 7,1% a Cabernet Franc, 1,9% a Merlot e 1% a Petit Verdot.

Foto: Divulgação

Um vinho

Don Melchor é a expressão da variedade Cabernet Sauvignon. A cada ano, o enólogo Enrique Tirado percorre o vinhedo, provando fileira por fileira e checando a maturação dos cachos para definir o momento exato no qual a uva deve ser colhida. A vindima de Don Melchor é determinada após a degustação e a realização de análises específicas na uva. As frutas são colhidas manualmente, entre meados de abril e princípio de maio e apenas aquelas bagas de uva maduras, intactas e saudáveis são selecionadas para a fermentação em tanques de aço inoxidável. Cada seção homogênea é vinificada separadamente, com especial cuidado com a temperatura e as remontagens de cada tanque.

A cor e os taninos são extraídos do bagaço e das sementes da uva através de uma delicada maceração. Após a fermentação, o bagaço juntamente com as sementes é prensado para preservar a máxima qualidade dos taninos da uva.

Uma nova safra de Don Melchor nasce quando é definida a proporção dos distintos Cabernet Sauvignon, provenientes dos diversos lotes do vinhedo, que formarão o blend final, podendo chegar a representar 60 a 70% do vinho total. 

Alguns anos, pequenas porcentagens de Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot são adicionadas para entregar complexidade e elegância ao blend final.

Uma vez definida a mescla, a nova safra de Don Melchor é transferida para barris de carvalho francês dos bosques de Allier, Tronçais e Nevers. Cerca de dois terços dos barris são novos e o terço restante já foi usado anteriormente. Após um período de 14 a 15 meses, o vinho é engarrafado e continua seu envelhecimento por mais um ano, desenvolvendo assim a complexidade e a elegância próprias de Don Melchor.

Homem de terno e gravata segurando garrafa

Descrição gerada automaticamente

Foto: Cynthia Malacarne

Gostaria de terminar essa coluna emitindo minha opinião sobre a safra 2020 do vinho Don Melchor. Foi uma das melhores que já provei deste vinho, considerando que provei 4 safras, super equilibrado, com acidez na medida, a madeira super integrada, nota-se que está ali, mas não sobressai em nenhum momento a fruta que é bastante fresca. Sente-se o frescor do vinho. Possui todos os componentes para envelhecer ao longo dos anos, como boa acidez e taninos firmes. Para quem possui condições, recomendo comprar duas garrafas, uma para beber já e outra para esquecer na adega e lembrar novamente daqui a uns 10 anos.

Em Brasília é possível encontrar esse vinho na Super Adega.

Garrafa e taça de vinho

Descrição gerada automaticamente

Foto: Cynthia Malacarne

Restaurante Le Jardim recebe prêmio “Award of Excellence” da revista Wine Spectator

Le Jardin, o charmoso grand café 24 horas do hotel Rosewood São Paulo, aberto todos os dias da semana para hóspedes e clientes, acaba de receber o prêmio “Award of Excellence” da revista Wine Spectator, publicação americana que elenca desde 1981 as melhores adegas mundo afora. O ranking avalia as cartas pela apresentação, variedade dos vinhos apresentados, a sua profundidade (quantidade de safras diferentes do mesmo vinho) e pela harmonia da seleção com os pratos que fazem parte do cardápio do restaurante. 

Mesa de jantar

Descrição gerada automaticamente

Foto: Divulgação

“Nos orgulhamos em ter uma carta com 67 fornecedores, dos quais conhecemos de perto o trabalho de cada um deles. Escolhemos os vinhos com características e personalidades distintas, mas que atendem os mais diversos paladares”, explica a head sommelier do Rosewood São Paulo, Julia Derado, certificada em Enologia e Viticultura na Itália e com título de Dame Chevalier de Champagne concedido pela L’ Ordre des Coteaux de Champagne, na França.

“Entre nossos pontos mais fortes, vejo que a seleção especial de vinhos naturais é algo que chama atenção, a vasta seleção de vinhos brasileiros, bem como os rótulos especiais servidos em taças”, completa. Na seleção, há um laranja brasileiro com a uva Peverella, Chateau D’Yquem, Petit Chablis, Brunello di Montalcino, entre outros. 

A concepção da carta de vinhos seguiu a proposta do Le Jardin, com uma gastronomia contemporânea com ingredientes de pequenos produtores. A carta lista rótulos de microprodutores de Goiânia e do sul de Minas Gerais, além de bebidas da República Tcheca e da Áustria, até grandes ícones no mundo do vinho, como Itália e França. “Priorizamos os produtores que têm um olhar cuidadoso no cultivo, que se preocupam com o entrono e trabalham com pouca intervenção de químicos”, explica Julia Derado.  

O Le Jardin chega ao primeiro pódio sem oferecer o tradicional menu degustação, o que ajuda o sommelier a fazer uma seleção de rótulos para harmonizar. “Saber fazer a leitura correta sobre o que o cliente busca na experiência de vinhos é o que determina se estamos no caminho certo. A carta do Le Jardin é muito completa, o que nos dá a oportunidade de sugerir harmonizações diversas, como étnicas, de contraste, semelhança etc.”  

Reservas Le Jardin: 

Telefone: 11 3797-0500 
Email: [email protected] 
Site: https://www.sevenrooms.com/reservations/rwsplejardin

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