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Três Poderes
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Temos o melhor técnico do mundo

Marcelo Chaves

30/06/2026 22h05

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Fotos: CBF

No clima da Copa do Mundo e celebrando a vitória do Brasil sobre o Japão, o entrevistado da semana é Gustavo Dias Henrique, dirigente esportivo e atual vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele fez história ao se tornar o primeiro profissional nascido em Brasília a compor a cúpula da entidade máxima do futebol nacional. Ex-jogador das categorias de base do Brasília Futebol Clube, Henrique construiu sua trajetória de bastidores no esporte atuando inicialmente como diretor de Relações Institucionais da CBF. Em maio de 2025, assumiu formalmente a vice-presidência na chapa liderada pelo presidente Samir Xaud. Gustavo se destaca pelo perfil articulador e de forte trânsito político e institucional junto a autoridades na capital federal.

Qual é a expectativa para a Copa do Mundo? Como o senhor vê o desempenho da seleção? Com a vitória sobre o Japão, o senhor acredita que o Brasil tem chances de vitória no mundial?

Futebol não é uma ciência exata, mas estamos fazendo o máximo possível para que o hexa venha nesta Copa. Temos o melhor técnico do mundo, uma comissão técnica vencedora e estamos proporcionando aos jogadores uma estrutura nunca antes vista na Seleção Brasileira. A tranquilidade institucional também é algo muito importante, e tem sido assim desde que a nova gestão da CBF assumiu, em maio do ano passado. Então, sim, estamos confiantes.

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Presidente da CBF, Samir Xaud, presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o vice-presidente da CBF, Gustavo Dias Henrique, o nosso entrevistado

O Brasil avançou apresentando sua melhor forma física no jogo de ontem contra o Japão. O planejamento de preparação logística montado pela CBF atingiu exatamente o ápice esperado para esta fase eliminatória?

Exatamente. Tudo isso foi pensado pelos excelentes profissionais que a CBF tem. Os jogadores estavam vindo de fim de temporada, então era muito importante dosar a carga de treinamentos para que todos voltassem a atingir o pico da forma aqui na Copa. É o que estamos vendo agora.

O senhor liderou uma comitiva da CBF aos Estados Unidos para compreender a visão estratégica deles sobre a indústria esportiva. Que tipo de boas práticas da MLS (liga profissional de futebol dos EUA e Canadá) ou de outras ligas americanas podem ser implementadas no futebol brasileiro já a partir deste ciclo?

Essa foi a segunda imersão internacional promovida pela CBF neste ano. O presidente Samir Xaud, juntamente conosco, organizou a viagem aos Estados Unidos e foi muito produtiva porque nos permitiu observar como a MLS e outras grandes ligas americanas tratam o futebol como indústria, com forte integração entre gestão, tecnologia e experiência do torcedor. Há práticas que podemos incorporar imediatamente, como o uso mais intenso de dados para tomada de decisão, processos de governança mais padronizados e uma visão de calendário que privilegie previsibilidade e qualidade do produto. O objetivo é adaptar esses elementos à realidade brasileira, sem perder nossa identidade esportiva. Todos sabemos que os americanos são mestres em unir esporte, negócio e entretenimento. Ver isso de perto foi uma experiência marcante.

Como a CBF planeja equilibrar o desenvolvimento comercial e estrutural das federações locais (como a do Distrito Federal, sua base) com as demandas globais exigidas pela Fifa?

Nossa linha é clara: fortalecer a base para sustentar o topo. A CBF tem trabalhado para profissionalizar federações, ampliar capacitação e garantir que cada estado tenha condições mínimas de estrutura e gestão compatíveis com o que a Fifa exige. Isso vale para todo o país, inclusive para o Distrito Federal, que é minha origem e onde faço questão de manter esse compromisso de desenvolvimento e está o lado a lado com o presidente Daniel aqui no DF.

O Brasil será a sede da Copa do Mundo Feminina de 2027. Como estão os preparativos em termos de infraestrutura das cidades-sede e quais são as metas de legado que a CBF planeja deixar para a modalidade após o torneio?

Os preparativos avançam bem. O Brasil já possui infraestrutura consolidada, e agora estamos ajustando detalhes específicos para a competição. O legado que buscamos é direto: mais visibilidade e estrutura para o futebol feminino, mais oportunidades competitivas e um impacto social que incentive meninas e mulheres a ocuparem todos os espaços do esporte.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, mantém forte alinhamento institucional com a atual liderança da CBF. Quais são os planos concretos para capitalizar a imagem do Brasil após o encerramento desta Copa, visando projetos de Fair Play Financeiro e melhorias na arbitragem nacional?

O alinhamento com o presidente Gianni Infantino abre portas importantes para o pós-Copa. A Fifa sempre nos deu todo o apoio aos nossos projetos de gestão e profissionalização do futebol brasileiro. Queremos ser conhecidos não apenas pelo nosso talentos em campo, mas também como referência de evolução institucional. A Copa do Mundo é importante porque nos dá essa visibilidade.

Sendo o primeiro brasiliense nato a alcançar a cúpula da CBF, qual o principal legado de inclusão que o senhor deseja deixar para as praças do futebol brasileiro que hoje estão fora da elite do esporte?

É um orgulho enorme, e que traz junto a responsabilidade de ampliar a inclusão no futebol brasileiro. Um dos meus objetivos é que regiões fora da elite tenham mais acesso a projetos, formação e infraestrutura. Quero que crianças do interior, de estados com menos tradição de investimento, tenham as mesmas oportunidades de desenvolvimento que os grandes centros oferecem. Se conseguirmos democratizar o acesso ao futebol, esse será um dos legados que mais me orgulhará.

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