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Quinto Ato

O assassinato do anjinho Henry Borel

Não é a primeira vez que recorro a esse trecho de Macbeth para mostrar até que ponto a ambição desmesurada pode levar o ser humano

Por Theófilo Silva 13/04/2021 1h54
O assassinato do anjinho Henry Borel

Não é a primeira vez que recorro a esse trecho de Macbeth para mostrar até que ponto a ambição desmesurada pode levar o ser humano. Diria que essa é a fala de conteúdo malévolo mais forte em toda a obra de Shakespeare, superando até mesmo passagens de Ricardo III e de Rei Lear. Trata-se do diálogo entre Macbeth e a esposa, quando estes estão tramando a morte do rei Duncan. Macbeth hesita em matar o bondoso rei, que tinha acabado de cumulá-lo de títulos e honrarias. Mas lady Macbeth discorda, e quer prosseguir com a trama, falando para ele essa monstruosidade: “Já amamentei e sei como é agradável amar o doce filho que em mim mama! Pois bem, no momento em que estivesse sorrindo para meu rosto, eu arrancaria o bico de meu peito de suas gengivas sem dentes e estouraria seus miolos, e o faria sem piedade, se tivesse jurado que o faria”. Monstruoso, brutal, satânico, não é mesmo?

Uma mãe dizer que mataria seu filhinho que mamava em seu peito, se esse fosse o custo para ela ser rainha da Escócia, ou seja, chegar ao topo, é de uma crueldade extrema, indo muito além do que muitos assassinos são capazes. Seria isso possível? Shakespeare não estaria exagerando? Infelizmente, não!

No meio de toda essa carnificina da pandemia, já não bastasse tanta dor e desilusão, tanto sofrimento, trago um caso que chocou o país pela perversidade, brutalidade, monstruosidade e sadismo. Trata-se da tortura e assassinato do garotinho Henry Borel, de apenas quatro anos de idade, pela sua mãe, Monique Almeida e pelo padrasto, médico e vereador evangélico, pelo Rio de janeiro, Dr. Jairinho – vejam a ironia do nome desse filho das trevas. O Rio de Janeiro tem nos contemplado, constantemente, com relatos de terror. Seja a psicopatia do presidente da República e seus filhos, seja Flordelis, sejam os milicianos, os governadores ladrões, seja o assassinato da vereadora Marielle. São tantos os crimes, que fica até difícil de enumerar.

Não vou narrar aqui a história, porque todo mundo já a conhece, e os monstros se encontram presos preventivamente, pelo menos por esses trinta dias. Depois deverão ser beneficiados pelo leniente código penal brasileiro e cumprirão seis anos de cadeia. Em seguida serão soltos e entrarão para uma igreja evangélica – o monstro Jairo já o é – entre as milhares que cultuam Satanás em nome de Jesus Cristo.

Jairo, o monstro psicopata torturador de crianças, sanguinário e assassino, já apresentava um histórico de brutalidade ao longo de sua vida, como mostram ex-namoradas em seus relatos. Ele também é filho de um ex-deputado miliciano processado por corrupção. O que agrava ainda mais sua monstruosidade é o fato de ele ser médico. Henry passou por diversas sessões de tortura, dessas semelhantes a de filmes de terror. Ele era torturado por alguém que conhecia bem o corpo humano, já que pulso, regiões da cabeça, fígado, rins, pernas foram os locais onde o monstro espancou mais fortemente a criança, visando locais que não deixassem marcas, caso ele viesse a morrer, assim não seria percebida a causa de sua morte. A mãe não participou das torturas, foi cúmplice, deslumbrada por ter ascendido socialmente, já que mudou de Bangu para um belo apartamento na Barra da Tijuca, e ganhou um emprego, sem precisar trabalhar, no tribunal de contas do Rio, onde recebia um salário quatro vezes maior.

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O que esse caso deixa claro para nós, é que houve o encontro de dois psicopatas. De duas figuras despidas de afetividade. E o mais curioso é que amigos e colegas de trabalho desses dois filhos das trevas afirmaram que ambos são pessoas de fácil relacionamento, ou seja, não são sociopatas, mas psicopatas endógenos, vamos chamá-los assim. Ao afirmarem que esses demônios eram, aparentemente, de fácil trato, recordo de mais uma sentença de Shakespeare, na mesma peça Macbeth, dita pelo rei Duncan, antes de ser assassinado por este: “Não existe arte que possa decifrar as feições da alma pela face”. Sim, quem vê cara, não vê coração!

O garotinho Henry, virou um anjinho, e que Deus cuide dele no céu onde se encontra agora, e que seus assassinos sigam para o inferno, de onde nunca deveriam ter saído.

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