fbpx
Siga o Jornal de Brasília

Quinto Ato

¿Hay justicia? Soy contra!

“Tenho que voltar a Samuel Johnson, o Dr. Johnson, o maior ensaísta em língua inglesa, e citar mais uma vez um trecho de seu livro Rasselas, Príncipe da Abissínia, não traduzido em língua portuguesa, para explicar o comportamento do ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal. Mello soltou 92 criminosos este ano, em particular o rico e perigosíssimo mafioso traficante de drogas, condenado em segunda instância, André do Rap”.

Theófilo Silva

Publicado

em

¿Hay justicia? Soy contra!
PUBLICIDADE

Tenho que voltar a Samuel Johnson, o Dr. Johnson, o maior ensaísta em língua inglesa, e citar mais uma vez um trecho de seu livro Rasselas, Príncipe da Abissínia, não traduzido em língua portuguesa, para explicar o comportamento do ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal. Mello soltou 92 criminosos este ano, em particular o rico e perigosíssimo mafioso traficante de drogas, condenado em segunda instância, André do Rap – que chegou a oferecer oito milhões de reais aos policiais para que não o prendessem. Talvez um dos casos de maior repercussão negativa envolvendo o desacreditado e quase desmoralizado STF nos últimos tempos. Mas vamos ao Dr. Johnson:

“Não se pode encontrar um único homem cuja mente não é, às vezes, tiranizada por noções etéreas, forçando-o a nutrir esperanças ou sentir medo muito além dos limites da probabilidade sóbria. Toda força da imaginação sobre a razão é um grau de insanidade; porém, embora seja possível controlar e reprimir tal força, ela não é visível a terceiros, tampouco considerada uma depravação das faculdades mentais: só é declarada loucura quando se torna ingovernável, e parece influenciar o discurso e a ação”.

Pergunto a vocês se o juiz Marco Aurélio não se enquadra dentro dessa poderosa reflexão johnsoniana. Pergunto se Mello não “tem a mente tiranizada por noções etéreas”. E se essas noções etéreas não afetam seu discurso e suas ações?

Eu não entendo porque a imprensa se surpreendeu com a decisão de Marco Aurélio, já que ele sempre se comportou assim. Acumula centenas de votações pelo placar de 10 X 1. É o ministro do contra, tipo adepto daquele ditado hispânico “Hay gobierno, soy contra”. No caso dele é, “Há justiça, sou contra”. Um horror! Marco Aurélio soltou o banqueiro Salvatore Cacciola, um riquíssimo ladrão condenado, que fugiu imediatamente do Brasil em avião fretado; soltou o goleiro Bruno, do Flamengo, um assassino cruel, que matou e mandou torturar sua namorada, grávida, Elisa Samúdio; Votou por “Habeas corpus” para a monstruosa Suzane Von Richtofen; soltou “Taradão”, assassino da freira americana Dorothy Stang, um caso de repercussão internacional. Se formos procurar casos de monstros condenados soltos por Marco Aurélio, vamos precisar de mil páginas para listá-los.

Nomeado por seu primo Collor de Mello que, até Bolsonaro eclodir das catacumbas do milicianismo, era indiscutivelmente o pior presidente da história do Brasil, Marco Aurélio sempre se comportou como um juiz que não tem qualquer compromisso em fazer justiça. Muitos dizem que ele é um “garantista” mas nem mesmo isso ele é. Marco Aurélio padece de Húbris. Trata-se de um homem arrogante, com um ego maior que a ponte Rio Niterói. Sua única preocupação é consigo mesmo, sua voz empolada de som gutural, vaidosíssimo, é voltado apenas para seu umbigo. Humilhou a advogada Daniela Andrade, em 2019, por esta ter usado o pronome de tratamento “vocês” durante uma sustentação oral no STF. Durante esses trinta anos, esse foi seu comportamento. Podem vasculhar suas sentenças, seus vídeos e verão que eu estou dizendo a verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ridicularizado no Brasil inteiro, chamado nas redes sociais de Narco Aurélio, como se fosse personagem de uma série da Netflix, e criticado por toda a imprensa brasileira e redes sociais, teve um pedido de Impeachment protocolado na Câmara Federal por um parlamentar. Nem mesmo isso o fez recuar um milímetro diante da derrota acachapante, humilhante, graças a ação enérgica do Presidente Luiz Fux, que impediu que o STF ficasse desmoralizado perante a sociedade. Um juiz existe para aplicar, fazer justiça. Marco Aurélio nunca se preocupou com isso. Ele se enquadra completamente na sentença do dramaturgo alemão Bertold Brecht: “Alguns juízes são absolutamente incorruptíveis; ninguém consegue induzi-los a fazer justiça”.

Muito embora tenha contado essa história e feito essas reflexões, lembro dessa passagem de Hamlet, que diz: “Isso é loucura, mas essa loucura tem método”. Pode ser que Marco Aurélio tenha adotado esse comportamento etéreo durante toda a sua vida no STF para atingir outros objetivos, outros fins. Quem sabe não seja esse comportamento que garanta a impunidade de pessoas como seu primo, solto até hoje. Bom, faltam oito meses para Mello – graças a Deus – se aposentar. Quem sabe, depois disso, Fernando Collor vá para a cadeia. E Marco Aurélio suma nas páginas da história e viva o resto de seus dias com sua infâmia.

Urgente: Marco Aurélio acaba de passar por cima de uma decisão colegiada do STF impedindo a extradição de um ladrão, Carlos Wanzeler, que lesou um milhão de pessoas nos EUA! Mesmo o ministro garantista Ricardo Lewandowsky chamou sua decisão de “anômala”. É isso aí.




Leia também


Publicidade
Publicidade
Publicidade