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Admirável Mundo Novo e o PL das Fake News

A tecnologia digital emprega trabalhadores num lugar e desemprega milhões em outros. Os países menos desenvolvidos sofrem brutalmente com esses choques. Em que acabará tudo isso?

Por Theófilo Silva 11/05/2023 5h00
Foto: Agência Brasil

A humanidade está vivendo sob o ritmo do algoritmo. É o algoritmo – no Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos – que dá o ritmo das nossas vidas nos subterrâneos do mundo virtual, das redes sociais, as grandes produtoras de calúnias, de notícias falsas (as famigeradas fake news). São manipulações e mentiras espalhadas pra quem quiser ver. Sem contar a esgotosfera — o mundo dos hackers, os pistoleiros do século XXI. São eles os atores principais desse lamentável espetáculo que a humanidade está vivenciando, essa nova era em que a mentira é a grande catalisadora. Uma era que começou no fim do século XX, mas que ainda não tem nome.

Bertrand Russel, o eminente filósofo e matemático britânico, já dizia em seu livro, ‘A História do Pensamento Ocidental’, do final dos anos 1950, que “o homem não tem como acompanhar os avanços da tecnologia. Por mais que ele tente, ela sempre andará à frente dele”. Isso foi escrito há mais de sessenta anos. Russel estava certíssimo! A tecnologia nos dá muito, constrói muito, mas desnorteou o ser humano. Hoje só se fala em inteligência artificial e seu poder avassalador, destruidor, do que ela está fazendo de ruim nas relações sociais e de trabalho. Algo meio parecido com o que aconteceu nos séculos XVIII e XIX com a Revolução Industrial, na Inglaterra, que desempregou milhões de operários nas tecelagens, obrigando os trabalhadores a quebrarem as máquinas para não perderem o emprego. Hoje, só se festeja!

Mas um alerta foi aceso. Como tudo vem dos EUA, Coréia do Sul, Japão, China, Rússia e alguns países da Europa, o restante das nações vão a reboque de tudo isso. A tecnologia digital emprega trabalhadores num lugar e desemprega milhões em outros. Os países menos desenvolvidos sofrem brutalmente com esses choques. Em que acabará tudo isso?

Estamos vivendo num mundo confuso, impactado pela pandemia de covid-19, em que as pessoas não estão conseguindo captar tantas transformações em suas vidas. O smartphone tornou-se um apêndice do ser humano, um “Bombril de mil e uma utilidades” devido aos seus tantos recursos, mas, ao mesmo tempo, uma espécie de “carteira de cigarros”, um maço de vícios que nos transforma em meros dependentes. Embora o smartphone tenha barateado e facilitado ligações e conexões com o mundo todo, ele também deixou as pessoas mais ansiosas, angustiadas e viciadas. Ninguém consegue se libertar dos aparelhinhos que transformaram nossa vida num inferno.

A privacidade acabou. Todo mundo está vigiado, grampeado. O assustador mundo que Aldous Huxley previu nos anos 1930, com seu livro ‘Admirável Mundo Novo’, parece ter chegado. Futuristas, os homens do algoritmo dizem que “a singularidade está próxima”. Que, em 2045, os computadores terão ultrapassado os seres humanos em inteligência, que a inteligência artificial superou a inteligência racional, humana. Fomos superados pelas máquinas. Detesto best-sellers, mas, em seu best-seller, ‘Sapiens’, o doentio Yuval Harari diz que “a morte é uma mera questão técnica, e como toda questão técnica pode ser resolvida” – págs 280 a 288. Não acredito nisso e acho a análise patética, ridícula, criminosa, para dizer o mínimo. No entanto, o livro é aplaudido por milhares de pessoas, entre eles Mark Zuckerberg, Bill Gates e Barack Obama.

Quem achar que não estamos vivendo uma época confusa, de autodestruição, em que guerras cruéis são travadas em espaços virtuais, está fora da realidade. O Brasil foi, e é, uma das maiores vítimas dessa novidade magnífica e aterradora. O algoritmo nos presenteou com uma cambada de homens públicos despreparados, pessoas sem conhecimento da realidade da sociedade brasileira. Como que Nikolas Ferreira, um jovem mineiro que destila ódio nas redes sociais pode obter 1,5 milhões de votos para deputado federal? O uso das novas tecnologias da informação, principalmente das redes sociais permitiram que farsantes e perversos se comunicassem com uma legião de imbecis, analfabetos funcionais e ingênuos, que os colocaram no poder!

O PL das Fake News em discussão no Congresso Nacional precisa prosseguir e punir as Big Techs, as responsáveis pela instituição dessa “terra sem lei”, em que se tornaram Facebook, Instagran, Twitter, Tik Tok e outros. Chega! Basta! Empresas de comunicação, jornais, revistas, a imprensa em geral tem tido prejuízos enormes com a apropriação de seus conteúdos pelo Google e outros sites. Estamos lidando com criminosos que vivem numa bolha, num bunker. A juventude talvez seja a parcela da população mais atingida pela ação desses perversos que só pensam em ganhar bilhões de dólares! Portanto o PL das Fake News tem que ser aprovado. E já!

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Ah, sim, a sentença Admirável Mundo Novo pertence a Shakespeare. Está na peça ‘A Tempestade’, escrita em 1612.






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