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Professor M.

Inovações promissoras e sua sobrevivência

Mesmo após uma ideia inovadora ser implementada, não está garantida sua sobrevivência. Alguns fatores nas fases de consolidação e expansão podem arruinar inovações promissoras.

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A National Science Foundation (NSF), fundação americana que financia projetos de pesquisas e educação, tem apoiado nos últimos anos diversas investigações sobre inovação e empreendedorismo.

Alguns dados refletem tanto a importância quanto os desafios de se inovar, para o setor privado e o setor público. São diversas informações estadunidenses que podemos inferir ocorrerem também no Brasil.

A pesquisa Inovação Empresarial (Small Business Innovation Research – BRDIS) e Research and Development (R&D) apontou que uma em cada seis empresas dos EUA (17%) introduziu um produto ou processo novo, ou significativamente melhorado, no período de 2013 a 2015.

Outro estudo da NSF, mostrou que apenas 14% das empresas norte-americanas são consideradas inovadoras em seus produtos ou processos. Um número expressivamente baixo para um país desenvolvido como os Estados Unidos.

As empresas com 250 ou mais funcionários tiveram taxas de inovação mais altas do que as empresas menores, expos outra investigação da NSF, o que pode demonstrar uma maior dificuldade das pequenas empresas americanas em desenvolver inovações.

Arora, Cohen e Walsh (2016) descobriram que, para empresas manufatureiras dos EUA, 49% relataram que a invenção subjacente à inovação mais importante era externa à firma, exprimindo a necessidade, ou oportunidade, de se inovar com interações externas à organização [1].

Os dados acabam confirmando algumas hipóteses sobre inovar e empreender, tais como o baixo percentual de inovações efetivas geradas pelas empresas, a pequena quantidade de organizações inovadoras e a necessidade de interação com stakeholders para potencializar a inovação.

Inovar é sobreviver

Quando Platão, a mais de dois mil anos atrás, afirmou que “A necessidade é a mãe da inovação”, certamente não imaginou o poder dessas palavras no futuro, o quanto ela se tornaria uma profecia empresarial no século XXI.

Em um ambiente onde as necessidades humanas e sociais estão cada vez mais demandando soluções das organizações públicas ou privadas e o ambiente empresarial competitivo é muito acirrado, inovar é uma questão de sobrevivência.

A necessidade de algo ou alguém é o combustível da mudança e provoca a inovação. Por toda a história empresarial mundo afora existem exemplos da relação necessidade x inovação.

Um caso marcante na história humana foi a invenção de Heron de Alexandria no século I, potencializada por Thomas Savery em 1698, quando levou para as fábricas o motor a vapor, iniciando assim a Revolução Industrial na Inglaterra.

A necessidade humana e social por uma quantidade maior de produtos provocou a irreversibilidade da passagem da produção manufaturada para a produção industrializada.

E assim foi por toda a história, com invenções e descobertas como os antibióticos, a aspirina, a pasteurização, a radiografia, a tipografia, o rádio, a TV, o automóvel, o computador, a Internet, o celular, e outros diversos exemplos de necessidade x inovação.

Inovações e sua sobrevivência nas organizações

“As corporações gostam da inovação, mas não dos inovadores”, afirma Henna Kääriäinen, empreendedora e instrutora em treinamentos sobre criatividade, o que parece um contrassenso, mas é a realidade em diversas organizações.

É comum em grandes empresas o idealizador de uma inovação ser desligado do movimento de implantação e consolidação da ideia, por motivos pessoais ou por decisão hierárquica.

O inovador às vezes é percebido como atrevido, petulante e prepotente, pelo fato de ser o criador da inovação e conhecedor da ideia, transformando sua audácia e coragem em antipatia.

Isso ocorre tanto com criações individuais como nas criações colaborativas, por conta da tendência organizacional de nominar individualmente o “pai” da ideia, “carimbar” alguém como inovador.

Assim, inevitavelmente a inovação passa a ser gerenciada por uma equipe de consolidação e estabelecimento da ideia. Isso não é negativo, se (i) os profissionais da equipe tiverem participado da ideação, (ii) tiverem perfil de desenvolvedores sem vaidades, e (iii) disporem de informações dos fundamentos e objetivos da inovação.

Onde isso não acontece, acabamos deixando a inovação correr o risco de convalescer até desaparecer em equipes despreparadas e desprovidas de propósitos continuístas.

Vejamos algumas dessas equipes e suas característica:

Equipes “Crtl+C” e “Ctrl+V”

Dependentes de informações de terceiros, perdendo criatividade e habilidades inventivas. Normalmente preferem por textos resumidos e pouco profundos no assunto e costumam utilizar bastante o “Crtl+C” e “Ctrl+V” – copia e cola.

Essas equipes não dominam com competência as técnicas de pesquisa, seleção, tratamento e transformação da informação, fatores necessários para a continuidade de inovações.

Equipes “Time Line

A “time line” da equipe é composta de lembranças do passado, invariavelmente de terceiros, originada fora da equipe.

O presente é só um instante a ser vivido no momento. O futuro é algo longínquo, não povoa o pensamento da equipe.

A ideia de continuidade da inovação não é a prioridade pois, imaginam que por se tratar de uma boa ideia, vai sobreviver por ela mesma.

Equipes “Curtir”

Só querem sair na foto e surfar na publicidade da inovação que devem (ou, deveriam) cuidar.

Seus integrantes normalmente são focados na exposição da própria equipe, exacerbando o altruísmo e autopromoção. Perseguem constantemente “curtidas” no ambiente organizacional.

Necessitam constantemente de autoafirmação, só que baseada na inventividade que herdaram do inovador e da inovação que receberam.

Equipes “Microblogging”

Os membros dessas equipes falam demais, com conteúdos curtos, rasos ou pouco contributivos ao processo criativo e inventivo.

A produção de informações é imediatista e momentânea, de qualidade duvidosa ou abaixo da necessidade que a inovação requer e necessita para sua continuidade e evolução.

Adoram criar polêmicas com informações controversas, duvidosas e contestáveis, sem objetivo produtivo e prolífero.


Caso tenha se identificado com algumas dessas equipes, é hora de repensar suas atividades profissionais e tomar decisões que as eliminem do seu caminho e da sua vida organizacional.

Nos artigos “Os predadores organizacionais da inovação”’ e “Vencendo os predadores organizacionais da inovação” falamos sobre ‘pessoas’ não contributivas à inovação e aos empreendedores, que provavelmente compõem as equipes aqui ilustradas.

Inovar não é custo, é investimento, por isso a inovação deve ser tratada com seriedade e profissionalismo dentro das organizações pois, dela depende a sobrevivência dos negócios e dos empregos que elas geram.

O continuísmo de uma ideia deve ser cuidadosamente planejado e programado, sempre considerando o perfil e competências das equipes e dos profissionais que vão consolidar e enriquecer a inovação.

[1] Arora A, Cohen W, Walsh J. 2016. The acquisition and commercialization of invention in American manufacturing: Incidence and impact.


Prof. Manfrim, L. R.


Compulsivo em Administração (Bacharel). Obcecado em Gestão de Negócios (Especialização). Fanático em Gestão Estratégica (Mestrado). Consultor pertinente, Professor apaixonado, Inovador resiliente e Empreendedor maker.

Explorador de skills em Gestão de Projetos, Pessoas e Educacional, Marketing, Visão Sistêmica, Holística e Conectiva, Inteligência Competitiva, Design de Negócios, Criatividade, Inovação e Empreendedorismo.

Navegador atual nos mares do Banco do Brasil, UDF/UnicSul e mentoria a Startups. Já cruzou os oceanos do IMESB-SP, Nossa Caixa Nosso Banco (NCNB) e Cia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Contato para palestras, conferências, eventos, mentorias e avaliação de pitchs: professor.manfrim@gmail.com.

Linkedin – Prof. Manfrim

Currículo Lattes – Prof. Manfrim

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