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Vou continuar comendo no Burger King e o que você tem com isso?

No mês do orgulho LGBTQIA+, nos deparamos com inúmeras notas de repúdio ou mesmo propostas de boicote à rede Burger King em decorrência de sua última campanha publicitária.

Vou continuar comendo no Burger King e o que você tem com isso?

Por Dr. Carlos Augusto de Medeiros

Em tal campanha, crianças e pré-adolescentes “ensinam” aos adultos que não há nada de errado em formas de amor diferentes da heteronormativa e em famílias constituídas de dois pais, duas mães etc.

O principal argumento é de que estão colocando crianças puras e inocentes para falar de assuntos que ferem a moral e os bons costumes. Também sugerem que é missão divina dos pais prover a educação sexual dos seus filhos. A possibilidade de orientações sexuais diferentes das convencionais se tornarem também convencionais é vista como ultrajante pela parcela conservadora da população, principalmente quando associada às crianças.

A despeito da exploração de uma luta mais do que justa meramente para vender hambúrgueres, a associação com as crianças faz todo o sentido. De fato, como diz o ditado, “é de menino que se torce o pepino”, nada melhor do que começar uma educação cedo para romper com preconceitos estruturais.

Sim, as crianças precisam, desde cedo, considerarem normal, dois homens ou duas mulheres se beijando; a existência de transexuais ou transgêneros; famílias compostas por dois homens ou duas mulheres; pretos em profissões reconhecidas e de alta remuneração; mulheres independentes que não desejam ter filhos; idosos ingressando em cursos superiores; entre incontáveis exemplos. O que deve deixar de ser normal para as nossas crianças é a violência, o preconceito, a discriminação, os maus trados aos animais e a desigualdade. Devemos sim ensinar às crianças que não é da conta delas o que as pessoas fazem quanto à sua própria vida, mais especificamente, como vivem a sua sexualidade.

É fundamental ensinarmos às crianças que elas devem amar e respeitar o próximo, seja ele branco, preto, rico, pobre, de esquerda, de direita, hétero, gay, lésbica, transexual, transgênero etc. Assim como é fundamental que as ensinemos a amar e a respeitar os animais também. Ao fazê-lo, estaremos lutando por um mundo mais humano. Temos pouco controle sobre a conjuntura atual. Nos sentimos compadecidos pela desigualdade social e pelas mazelas dos menos favorecidos. Meu convite é para tentarmos exercer controle sobre aquilo que temos controle. Podemos nos empenhar em transmitir valores mais compatíveis com o bem comum, não só do ser humano, como também com o bem do planeta.

Precisamos entender que não é interesse da comunidade LGBTQIA+ converter adeptos. Na realidade, essa comunidade deseja apenas existir. A associação da comunidade LGBTQIA+ com libertinagem, perversão, pedofilia, erotização infantil é improcedente e, no mínimo, desonesta. Defensores do discurso de ódio abordam questões sociais de modo simplista e dicotômico, como se tudo fosse o bem contra o mal. O mal, no caso, seria tudo aquilo que é diferente de mim. Precisamos compreender que a comunidade LGBTQIA+ não nos ameaça; não ameaça a família; não ameaça a religião; e, principalmente, não ameaça as crianças. Por fim, devemos ensinar para as crianças que não é da conta delas o que as pessoas fazem quanto à sua própria sexualidade.

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