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Coluna Marcelo Chaves

Primeira-dama e secretária de Desenvolvimento Social Mayara Noronha fala de Brasília e de seus projetos para o futuro

Marcelo Chaves

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Ainda no clima das comemorações dos 60 anos de Brasília, completados ontem, a coluna conversou com a primeira- dama e secretária de Desenvolvimento Social do DF, Mayara Noronha Rocha. Na entrevista concedida ao Jornal de Brasília, Mayara, que tem desenvolvido um importante trabalho na cidade, fala sobre a capital e seus planos futuros para a pasta do Desenvolvimento Social.

Brasília completou 60 anos. Na opinião da senhora, quais são os maiores defeitos e qualidades que a cidade acumulou em seis décadas?

Eu não diria um defeito, eu diria talvez uma mácula. Por haver uma grande mistura de povos, ideologias e crenças, tudo isso politicamente falando, acaba existindo uma grande rivalidade entre pessoas por motivos políticos, o que traz uma carga muito negativa. As pessoas que aqui residem jogam toda a carga negativa para cá, proferindo palavras desnecessárias. Rezar por Brasília é rezar pelo Brasil. Precisamos dessa consciência.

Sobre as qualidades, Brasília nasceu de um sonho profético de Dom Bosco e com a realização de JK pelas mãos dos candangos. Logo é a cidade dos sonhos, do planejamento, como nenhuma outra no país. Capital de gente educada, que respeita as decisões das autoridades, que cria mecanismos de respeito e exemplo para as outras cidades, como o caso da faixa de pedestre e da contenção do vírus. Brasília foi a primeira cidade a realizar os exames em massa. Enfim, nós fazemos jus a denominação de capital.

Como cidade planejada, Brasília sofre com engarrafamentos, pessoas que teimam em invadir áreas públicas. A senhora acha que a cidade hoje enfrenta os mesmos problemas das grandes metrópoles do país?

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É um assunto inerente as grandes cidades. Falando de Brasília, a cidade foi planejada na época para ser restrita, para oferecer qualidade de vida e beleza aos olhos. Acontece que o número de habitantes aumentou descontroladamente, e levou a expansão horizontal, construída por diversas cabeças pensantes, ou seja, há aglomeração em certos lugares, e certa tranquilidade em outros. Agora falando de invasões, eu digo que precisamos incutir na cabeça das pessoas a importância de preservar a natureza e seus campos verdes. Verticalidade em excesso não é benéfico. Tem que haver garantia de moradia, de um teto digno, mas respeitando limites.

Como brasiliense, a senhora tem saudade de algo que a cidade teve e não tem mais?

Tenho saudade da liberdade com segurança, de uma infância livre, sem tantas cobranças e metas.

Qual o seu lugar preferido em Brasília?

Eu sou uma eterna namorada do Eixo Monumental. Passar pela retidão do eixo me motiva, me encoraja, me faz lembrar de um passado, da menina que eu era, mas principalmente me faz sonhar. O Lago Paranoá me dá uma sensação de liberdade, e eu amo isso.

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Que tipo de Brasília deseja para o seu filho daqui 20 anos?

Para o meu filho eu desejo uma cidade segura e próspera. Que ao estudar a história brasileira ele tenha a certeza de que os pais dele contribuíram para a evolução da cidade. E para os meu filhos de coração eu desejo o mesmo, segurança e prosperidade. Desejo também a minimização das desigualdades de oportunidades. As condições podem até não ser similares, mas que deixem de dizer que não fizeram nada por falta de oportunidade, porque o estado estará presente proporcionando oportunidades.

O que a senhora, como primeira-dama e secretária, gostaria de deixar de legado para a cidade?

Espero que as pessoas deixem de vincular a Secretaria de Desenvolvimento Social como uma secretaria de assistencialismo. É preciso criar políticas. É hora de nos organizarmos para o melhor funcionamento do sistema, com uma rede socioassistencial pública e privada, por isso entendemos que para cuidar das pessoas pela garantia do acesso aos benefícios, programas e serviços organizados pelo Estado, trabalhamos pelas instituições públicas e também em parceria com as instituições privadas e a sociedade.

Queremos um DF mais cidadão e é para isso que vamos fortalecer a atuação da Secretaria de Desenvolvimento Social do DF. Estou com um corpo técnico muito seleto e temos excelentes programas. Quero sair da SEDEST como uma pessoa que puxou grandes programas que transformaram vidas. E como primeira-dama, o meu legado será as campanhas solidárias. Também como legado, gostaria de deixar o fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social em todo o país, fazendo o melhor em quanto capital do país. Políticas públicas de garantias de direto de proteção social das famílias e comunidade, dando uma base de sociedade forte e sustentável. É preciso trabalhar pelas instituições públicas e em parceria com as privadas e a sociedade.

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A senhora, que se tornou referência de ações sociais na capital, assumiu a pasta do Desenvolvimento Social. Tem algum projeto em especial que pretende colocar em prática?

Tenho uma vontade muito grande de construir um centro de referência para pessoas com doenças degenerativas. Tenho uma mãe com Parkson, e vejo a dificuldade em dar a devida assistência para os outros pacientes não tem acesso aos vários serviços necessários. Venho trabalhando também com a Secretária de Justiça e Cidadania a pauta do idoso. A meta é atuar para ações com os idosos mais vulneráveis. E é a hora que preciso da ajuda dos parlamentares, da sociedade civil, dos empresários. O empresariado ganha muito quando investe na sua cidade. Isso reflete no seu negócio e as empresas podem retribuir para a sua cidade, não de forma sobrecarregada, mas trabalhando em conjunto.

Com esse pesadelo do coronavírus, muitas pessoas tem ajudado com campanhas e doações. Quem quiser colaborar, como fazer?

Hoje para a população que queria ajudar com doações, todas as delegacias do DF estão de portas abertas, recebendo os donativos. Os batalhões da PM e Corpo de Bombeiros também. Temos um ponto de recolhimento no SIA e nas Administrações Regionais. Temos uma conta no BRB que foi criada para receber as doações em dinheiro. E essa quantia é como um socorro, para as compras emergenciais.

E sobre a solidariedade do brasiliense?

O brasiliense é solidário e vem mostrando isso cada vez mais, não falo só das campanhas de arrecadação, mas também das diversas formas de colaboração com o estado, isso faz parte das características de países de primeiro mundo. Acredito na potencialidade de transformação social através das empresas cidadãs, empresa solidária, com responsabilidade social, o que automaticamente desenvolve a cidade em que investiu e também devolve um pouco para a população que a levantou no mercado.

Devemos ser protagonistas nas melhorias da nossa cidade. Vivemos uma grande desigualdade no nosso Brasil. Se a classe média para alta conseguir adotar uma família ou rua ou uma cidade, não existiria fome no Distrito Federal. É uma corrente do bem. Não quero carregar a marca, como secretária, do assistencialismo, preciso fortalecer o Sistema Único de Assistência Social. Por isso preciso do Legislativo e Judiciário para trabalharmos juntos. Não dá para pensar num trabalho isolado.

Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para Brasília e para os brasilienses, na data em que a nossa cidade completa 60 anos?

Como secretária, desejo que a nossa cidade cuide de quem cuida. É necessário cuidar das famílias vulneráveis, para que cuidem das suas crianças e adolescentes. Desejo uma cidade segura, isso mexe muito comigo. Desejo uma cidade segura para os meus filhos, netos e para toda a população de Brasília. Acredito muito na força da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela sempre é parceira. Acredito também no meu potencial em fazer uma história bacana para a população do Distrito Federal. É necessário fazer a diferença com a ajuda de todos. Cada um fazendo a sua parte. Trabalharei por uma proteção social bem feita, enraizada, pois é um investimento que evitará muitos gastos no futuro, por exemplo algumas invasões, prisões, dependência química, violência. Sou grata por fazer parte da história de Brasília.

Foto: César Rebouças


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