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Mandando a Letra

Mandando a Letra: para reflexão de todxs, to@s e todes

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Você já deve ter encontrado em alguns textos esse recurso para atender a necessidade de incluir os gêneros masculinos e femininos em um só indicador. Alguns utilizam o X (o que substituiria o A e o O), ou uma sinalização de arroba (@) ou mesmo o E. As implicações e os debates são grandes.

Uma questão de gênero.
Que gênero?

Um artigo da pedagoga Beatriz Macedo me fez refletir sobre esse tema que extrapola a questão de inclusão feminina. Ocorre que, para a inclusão do gênero feminino no discurso, busca-se uma forma de adotar uma escrita que satisfaça essa necessidade, que é legítima.

Entretanto, há tantas vertentes desse debate que Beatriz lembrou que se pode incluir alguns e excluir outros. É bom salientar que o gênero gramatical não se relaciona com o gênero social ou biológico. Entra aí, também, a identidade de gênero. Entenderemos isso por vários exemplos: em alemão, amor é feminino, em português é masculino. Bebê é masculino e feminino, vai depender, nesse caso, sim, do sexo do indivíduo. Mas, por que o lápis é masculino? Ele não tem sexo. Há línguas indígenas que contam com 12 gêneros. Nada a ver com sexo.

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A tentativa de superar a dificuldade

Para quem ainda não viu a utilização dos marcadores acima, muita gente escreve uma saudação aos “amigxs”, “amig@s” ou “amigues”: uma forma de substituir “amigos e amigas”. É legal e uma tentativa que eu considero válida. Mas traz outros problemas para algumas pessoas, como aventou Beatriz: disléxicos, deficientes visuais que utilizam programas leitores de texto, semianalfabetos ou pessoas em processo de aprendizagem da leitura, mulheres em idade avançada ou afastadas da realidade acadêmica.

Essa tentativa e o esforço para atender a busca pela superação do apagamento da identidade feminina me fez lembrar duas situações: a primeira, ao iniciar um processo, uma pessoa perguntou se estavam todos a postos e “a postas”. E a outra, quando utilizei o “tod@s” em um texto para saudar pessoas num contexto religioso (era uma página na internet), fui “saudado” por uma pessoa que comentou: “Ah! Isso é aquelas coisas de ideologia de gênero, né? Já estou descurtindo a página”. Poupou-me de bloqueá-lo. Fiquei feliz.

Qual é a solução?

O ruim, para nós no pé desse texto tão singelo sobre um tema tão complexo, é que ainda não temos solução. Há várias pessoas altamente qualificadas tratando sobre o assunto nos mais diversos contextos sociais e acadêmicos. Creio que a maioria dos argumentos são bons. Mas não podemos nos esquecer desses novos excluídos, que ficam nessa condição por uma tentativa de inclusão. É um contrassenso.

Use isso com parcimônia, de acordo com o ambiente, pensando no seu leitor. Eu ainda creio que a solução virá de forma natural. Esse momento do “olho do furacão” é necessário e passará. Ficará para a história estudá-lo. Nossos filh@s e netxs estarão mais aptos a lidar com isso com mais naturalidade.


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