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Mandando a Letra

O que é “prioridade” mesmo?

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O amigo Bill, grande vascaíno e leitor assíduo desta coluna, atentou para uma ocorrência curiosa, sobre a qual comentamos bastante na semana passada, a despeito das repetições, do abuso na utilização de certos vocábulos e da consequente perda de significado. O fato era a afixação da palavra “prioridade” em locais de atendimento ao público.

A prática na comunidade
Costumo comentar que, quando se cria uma regra, é porque não se respeita alguma necessidade natural na sociedade. Como exemplo, eu pergunto o que você pensaria se visse uma placa numa igreja em que estivesse escrito: “É proibido chutar a bengala das velhinhas”? Naturalmente, qualquer pessoa chegaria à conclusão de que essa era uma prática naquele local.

A falta de bom senso leva a criar regras para coisas básicas. Chutar bengala de velhinhas é crueldade. Uma lei dessa é tão absurda como pedir que se deem lugares para grávidas, para pessoas idosas, para quem carrega bebê no colo ou para pessoas com deficiência. Mas essas leis existem, né? Daí, a tão famosa “prioridade”. Fato que denuncia que há muita gente (e deve ser a maioria) que, sem a lei, não teria a compaixão por essas pessoas.

O relato do Bill
O amigo Bill contou que estava em uma fila de banco, quando o caixa específico para atendimento prioritário (aquelas pessoas que citamos no parágrafo anterior, em princípio) foi fechado. Ato contínuo: a fila das pessoas com direito a atendimento preferencial simplesmente parou.

Os outros caixas que atendiam não chamavam as pessoas daquela fila. Daí, começou o protesto (justo, ao meu ver) de uma senhora reclamando da demora em ser atendida. Em meio a suas palavras, ela perguntou: “Mas o que significa, então, “prioridade”?

Uma análise
Não dá pra gente colocar a culpa somente naqueles caixas que não chamavam, de forma alternada, uma pessoa do atendimento comum e outra da fila de prioridades. Pelo jeito, a fila preferencial também ficou aguardando sua vez ou a resolução do caixa fechado, até que surgiu a reclamação.

Quais são as lições, entre tantas, seguramente, que podemos tirar dessa prática em torno da utilização de um vocábulo? Primeira é que a linguagem sempre está atrelada a uma prática social. Não dá pra analisar somente em uma frase ou ela sozinha. Segundo, que o uso demasiado faz com que se perca a sensibilidade com relação a ela. Terceiro, no caso específico de “prioridade”, ela acaba sendo ligada a uma lei, uma obrigação. Quarto, lamentavelmente, perdeu-se o sentido de chamada ao bom senso: a solidariedade a quem tem alguma necessidade especial. Se isso existisse efetivamente, a palavra prioridade não deveria ser usada nesse contexto. É ou não é? O que você acha?


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