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Urubu sobrevoa Brasília

Brasília Esporte Clube topou pagar ao Flamengo, para disputar um amistoso na tarde do oito de outubro, no velho Mané Garrincha

Por Gustavo Mariani 25/05/2022 4h10

Na época, cota de Cr$ 170 mil cruzeiros (moeda em vigor) era muito cara. Mesmo assim, o Brasília Esporte Clube topou pagá-la, ao Flamengo, para disputar um amistoso na tarde do oito de outubro, no velho Mané Garrincha. O time (nunca foi clube) mantido por dirigentes da Associação Comercial do DF tinha cofre pronto para socorrê-lo, caso o povão não o prestigiasse.

Rolou a pelota. O Brasília começou a pugna mais atrevido e visou a rede primeiro do que os rubro-negros – em duas oportunidades. Com o meia Moreirinha fazendo cerco a Zico, quando o Fla atacava, a defesa candanga usava a perigosa tática de adiantar-se para deixá-lo em impedimento.

Mais experiente, o Urubu (apelido flamenguista) ficou na dele, esperando uma bobeada da tática do Brasília. E não demorou muito para a sua rapaziada começar a explorar jogadas em cima do lateral-direito da casa, Fernandinho, que subia deixando espaços abertos às suas costas. Numa dessas subidas, o baixinho rubro-negro Osni o pegou completamente desguarnecido e lançou Luís Paulo, que chegou até a entrada da área candanga e chutou, forte, à saída do goleiro Déo, aos 28 minutos: Flamengo 1 x 0, placar do primeiro tempo e um castigo para quem procurava mais o ataque, embora com o centroavante Léo Fuminho preso entre os beques visitantes e não conseguindo sucesso nem trocando posição com o ponta-direita Julinho Rodrigues, para confundir o a zaga adversária.

Veio o segundo tempo e o Urubu, só sobrevoando o anfitrião, pelos ares de sua maior experiência, dominou a tática evitar impedimentos. Passou a mandar na contenda. Em um dos lances, seu lateral-esquerdo, Vanderlei Luxemburgo, marcou um belo gol por cobertura, anulado, por erro do árbitro José Mário Vinhas.

Tempinho depois, aos quatro minutos do segundo tempo, o veneno da tática do Brasília terminou por mata-lo. Zico viu Cláudio Adão em boa posição para receber lançamento, e caprichou. O zagueiro Luís Carlos Teixeira (o melhor já produzido pelo futebol candango) tentou deixar o camisa 9 do Fla em impedimento, mas, de repente, recuou e o deixou em condições legais para fechar a conta: Flamengo 2 x 0.

O Brasília trocou Léo, por Robério, jogador de armação, mas não adiantou, porque o meia Ernani Banana passou a lutar sozinho na frente. Quando nada, o Flamengo, considerando tudo resolvido, se descuidou, faltando 10 minutos para o apito final, e Julinho marcou o gol de honra do time da casa, por cobertura – muito aplaudido. O Brasília havia perdido, “honradamente”, para seu diretor Zé de Melo, comemorando o sucesso na renda: Cr$ 247 mil cruzeiros, que cobriu as despesas da partida.

O Brasília foi: Déo, Fernandinho, Jonas Foca, Luiz Carlos Calica e Geraldo Galvão; Capela (Well), Moreirinha (Jorgeney) e Ernani Banana (William); Julinho Rodrigues, Léo Fuminho (Robério Bayer) e Bira. Técnico: Airton Nogueira. O Flamengo teve: Cantarelli; Toninho Baiano, Nélson (Ramirez), Dequinha e Vanderlei; Leovegildo Júnior, Adílio e Luís Paulo; Osni, Cláudio Adão Geraldo) e Zico.

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