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Primeiro gol de Pelé Canarinho

Em 7 de julho de 1957, estava o menino Pelé no banco dos reservas da Seleção Brasileira

Por Gustavo Mariani 22/09/2021 9h46

Imaginada pelo general Julio Argentino Roca, que governou o país vizinho, de 1880 a 1886, e de 1898 a 1904, a Copa Roca vinha sendo disputada por Brasil e Argentina desde 1914, ano em que ficou por aqui – e, depois, em 1922 e em 1945.

Considerado por uns como pai do moderno estado argentino, e por outros um caudilho sanguinários, que teria promovido um genocídio de índios mapuche, para atingir os seus objetivos políticos, o general Roca foi o primeiro a ver a força do futebol no Cone Sul. E tratou de remetê-lo aos dividendos eleitorais, expecialidade dos ditadores dos dois países na década-1970.

Bola no lugar de política, é preciso passar, antes, pelo Torneio Morumbi, para “generalar” o que este texto pretende. Pois bem! Vasco da Gama e Santos se uniram em um combinado para disputar a competição que incluía, ainda, Flamengo, São Paulo, Sporting, de Portugal, e Dínamo, de Zagreb, da antiga Iugoslávia. Então, um garoto, de 16 anos, que começava a surgir no time santista, foi incluído na equipe. Ele já havia jogado em duas ocasiões, no Maracanã, contra o Flamengo e o América, mas a imprensa carioca nem sabia direito do seu nome, isto é, apelido: Pelé ou Pelê? Os ouvidos estavam mais acostumados a ouvir Telê, nome de jogador do Fluminense.

Enfim, rolou a bola pelo torneio internacional e o garoto de apelido confuso encantou o treinador da Seleção Brasileira, Sílvio Pirillo. Chegado o momento de convocar o time canarinho para enfrentar os “hermanos”, em mais uma edição da Copa Roca, a torcida brasileira foi surpreendida, com a inclusão daquele menino de 16 anos. Poucos o conheciam. O ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos, João Havelange, diz que foi ele quem mandou convocar. Mas o certo é Pirillo Pirillo esteve no Maracanã vendo-o jogar, viu, gostou e apostou.

Em 7 de julho de 1957, estava o menino Pelé no banco dos reservas da Seleção Brasileira. No Maracanã, 60 mil pagantes assistiam aos argentinos cozinharem todo o primeiro tempo, com um gol marcado por Labruna aos 14 minutos. Para mudar a situação, Pirillo chamou o garoto Pelé, para entrar no segundo tempo. Ele ocupou a vaga de Del Vecchio, que era seu colega no Santos, e empatou a partida, aos 77 minutos. Pena que, um minuto depois, Juárez tenha desempatado para os argentinos, que venceram, por 2 x 1.

Na estreia de Pelé como canarinho, o juiz foi o austríaco Erwin Hieger. A Seleção Brasileira teve: Gilmar (Santos), Paulinho de Almeida (Vasco) e Bellini (Vasco/capitão); Jadir (Flamengo), Oreco (Corinthians) e ZIto (Santos)/Urubatão (Santos); Maurinho (São Paulo), Luisinho (Corintians), Mazzola (Palmeiras)/Moacir (Flamengo), Del Vecchio (Santos)/Pelé (Santos) e Tite (Santos). Os argentinos foram escalados pelo técnico Guilermo Stáile com Carrizo; Pizarro, Vairo, Gianserra, Néstor Rossi (Guidi), Urriolabeitia, Corbatta, Herrera (Antonio), Juárez (Blanco), Labruna e Moyano.

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