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“Periquitão” embebeda Juventude

Gama vai a Caxias do Sul-RS e deixa tonto time da Terra da Uva

Por Gustavo Mariani 05/09/2023 11h14

Durante o Campeonato Brasileiro de 1999, o Tribunal de Justiça da Confederação Brasileira de Futebol-CBF tirou cinco pontos do São Paulo, por ter escalado o atleta Sandro Hiroshi, irregularmente, contra o Botafogo, e os repassou ao time alvinegro carioca.

O fato foi resultar no rebaixamento do Gama à Série B, mas o “Periquitão”, que não tinha nada a ver com o rolo, não aceitou a manobra para salvar os botafoguenses da queda, e encarou as cartolagem da CBF.

Recorreu à justiça desportiva e comum e, após muitas negociações, prosseguiu na Série A, tendo a CBF, para escapar de punições da FIFA-Federação Internacional de Futebol Associado, lançado a Taça João Havelange, em lugar do Campeonato Brasileiro – que, depois, foi equiparado ao tal.

Treinado por Mauro Fernandes, o Gama montou um time enjoado – vencera Fluminense e Palmeiras, em casa, América-MG e Coritiba, fora, e empatado com Santa Cruz-PE e Vitória–BA. Só havia perdido para o Cruzeiro-MG. Mais adiante, em 21 de setembro de 2000, os gamenses teriam pela frente o gaúcho Juventude, de Caxias do Sul. Seria 15ª partida do “Gamão do Povão”, como o apelidara o locutor Marcelo Ramos, da Rádio Capital.

A torcida alviverde gamense sabia que a sua moçada iria brigar muito para não passar decepção, mas não esperava que com 38 segundos de refrega já aprontasse. O lateral-direito Paulo Henrique subiu no ataque, cruzou bola para o rumo da área gaúcha e o sergipano Juari cabeceou a chamada “bola tirando tinta do travessão”. Aos seis minutos, o Gama voltou a ferver no ataque. Ganhou escanteio que Lindomar o cobrou, da esquerda. Enquanto o goleiro e um zagueiro do anfitrião se enrolavam no lance, o ponta-direita gamense Romualdo (foto) colocou a cabeça na pelota e abriu a conta: 1 x 0. Mas o primeiro tempo poderia ter sido com mais números no placar. Aos 24 e aos 40 minutos, respectivamente, Lindomar e Juari acertaram a trave dos gaúchos.

Veio a segunda etapa e o Juventude partiu com tudo em busca do empate. O Gama se segurou, marcou forte e só se arriscou em contra-ataques. Mauro Fernandes ordenou à sua rapaziadas que deixasse o dono da casa gastar toda a sua energia em busca do empate e continuasse se segurando e contra-atacando.

Deu certo. A partir dos 20 minutos, o Juventude começou a diminuir o ritmo de sua fúria. O Gama, que havia administrado bem as agressões pelos também alviverdes, passou a se assanhar e até a criar chaces de bater para o gol. Aos 35 minutos, quando já havia gente indo embora, não acreditando mais no empate, em um rápido contra-ataque, o lateral-esquerdo Rochinha tabelou com o deslocado ponta-direita Romualdo, fez a bola passar por entre as pernas de quem veio combater-lhe, chegou até a grande área dos gaúchos e tocou para Paulo Henrique, que estava pela marca do pênalti.

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Desesperado, o adversário Da Guia cometeu pênalti que Lindomar cobrou e mandou a bola para o lado esquerdo do goleiro que leu no placar: Gama: 2 x 0, somando 18 pontos ganhos. “Foi o nosso teste mais difícil”, declarou o zagueiro Gérson, ao Jornal de Brasília.

O Gama alinhou: Nílson; Paulo Henrique (Marcos Piauí), Gérson, Jairo e Rochinha; Nen, Sérgio Soares (Kabila) e Gutemberg e Lindomar; Romualdo e Juari (Silva). O Juventude foi: Júlio César; Clairton (Luiz Fernando), Marcos Aurélio, Paulo César e Alex (Fábio Magrão); Wilson, Sidnei, Luciano Fonseca e Michel (Da Guia); Adriano e Vandick; Treinador: Roberval Davino.






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