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Histórias da Bola

Paulistano e Vasco da Gama

Nos primórdios do “amadorismo oficial” do futebol brasileiro, dirigentes apostavam no esporte e bancavam viagens dos atletas

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Foto: acervo

Os primeiros clubes do futebol brasileiro a excursionarem à Europa foram o Paulistano, em 1926, e o Vasco da Gama, em 1931. À época, o futebol brasileiro era, “oficialmente”,  amador, pois o profissionalismo só rolou a partir de 1933. Como os canarinhos ainda eram pobres de taças e faixas, só tendo ganho os Campeonatos Sul-Americanos de 1919 e de 1922 – os argentinos já haviam conquistado nove –, eles não motivavam ninguém a negociar excursões para as equipes atravessarem o Atlântico. Paulistano e Vasco viajaram por conta de seus dirigentes, o segundo como prêmio pela conquista do título carioca de 1929.

O primeiro empresário a levar os “brasucas” a girarem pelos campos do mundo foi um argentino, Alfonso Doce, o representante, em Buenos Aires, da então Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF, que trocou a palavra desporto por futebol). Além daquilo, o chamado Don Alfonso mantinha boas relações com a família Aranha, que teve Cyro presidente do Vasco da Gama (biênios 1942/44 e 1952/54). E não perdeu tempo.

Corria 1945 e o “Almirante” colocava no trilho o “Expresso da Vitória”, formando um dos times mais fortes do planeta. Foi por ali que o Doce entrou no cardápio das excursões do futebol brasileiro, levando os cruzmaltinos à Espanha, Portugal, Argentina, Chile e Uruguai, sempre que um título pintava. Da mesma maneira, só embarcava outros clubes  em momento de cartaz. O seu império durou até 1950, quando os brasileiros já haviam aumentado, para três, os seus títulos no futebol sul-americano.

Pelos meados de 1949, um morador do bairro carioca de Madureira, o “portuga” José da Gama resolveu atravessar os negócios de Don Alfonso. Aos 32 anos de idade, de saída, operou no mercado interno, levando o Madureira Atlético Clube a excursionar pelo Norte/Nordeste brasileiro. Chegou aos 50 anos de idade mandando na praça, tanto para excursões internas quanto externas. Tornou-se o primeiro empresário famoso do país, capaz de desenhar o mapa mundial só baseado em suas excursões pelas Américas, Europa Ásia e Oriente Médio. Ao contrário do exigente argentino Don Alfonso, ele arranjava jogos no exterior até para equipes bregas, caso da seleção do Departamento Autônomo da Federação Carioca de Futebol.

Além do Madureira AC, que presidi (também, o Madureira Tênis Clube), o Zé da Gama teve Vasco da Gama, Flamengo, Botafogo, Fluminense, Bangu, Olaria, Bonsucesso, São Cristóvão, Bahia, Sport Recife, Náutico-PE e América Mineiro entre os seus clientes. Certe vez, excursionou com uma seleção paulista de novos, levando Vicente Feola como treinador.

Após aqueles dois primeiros “reis das excursões”, Elias Zarkur e Cacildo Osés também entraram na história. O primeiro mais de levar times ao exterior e o segundo, mexicano, também de negociar a compra e venda de passes de jogadores. A partir da década-1980, já eram muitíssimos os empresários da bola. Aproximando-se do final do século, ex-jogadores começaram a beliscar fatias desse mercado, mas atuando, principalmente, na representação de atletas em negociações de contratos, anúncios publicitários e colocação em mercados internos e externos. Rolou, ainda, representação de marcas esportivas. Nesses segmentos, um dos mais atuantes foi o atual diretor da Seleção Brasileira e ex-goleiro Gilmar Rinaldi, de tanto sucesso no São Paulo, no Flamengo e no escrete canarinho.

Todos os empresários da área esportiva brasileira tiveram como grande concorrente a partir dos últimos anos do século 20 o uruguaio Juan Figger. Além de jogar pesado por aqui, ele foi quem negociou a ida de Diego Maradona, da Argentina, para o futebol espanhol. Talvez, o maior peso pesado “brasuca” tenha vindo a sere Wagner Ribeiro, que cuidou dos interesses de Kaká e de Neymar, entre outros. São os tempso dos “agentes FIFA”, credenciados pela entidade controladora do futebol mundial para operar nesse mercado, inclusive como representante de megas empresários de várias partes do planeta.


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