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Padre na área

Por Gustavo Mariani 14/01/2022 10h52

Eles não entram em campo pra balançar a rede, mas os cartolas e a galera dizem que ficam na torcida ajudando a sacudir o barbante. Por exemplo, na década-1950, quando o Flamengo conquistou um tri carioca (1953/54/55), nos tempos do grande presidente Gilberto Cardoso, Dr Joel, Henrique Frade, Dida, Babá e do técnico paraguaio Fleitas Soliche, o “cara” era o Padre Goes (foto). O Vasco teve um que até batia bola (de brincadeira, é claro), com campeões mundiais do time. O Corinthians viu o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns até escrevendo livro sobre o “Timão”.

No futebol gaúcho, escalou-se um dos maiores “artilheiros” milagreiros do Brasil, o Padre Reus. Este teve os seus milagres (fora dos gramados) investigados pela Igreja Católica e, por “ajudar tanto” ao Grêmio Porto-Alegrense, tornou-se, na década-1960, “protetor divino” do clube. Até participava dos “bichos” da rapaziada, por vitórias e empates. Os jogadores e o treinador Carlos Froner (em 1967), doavam parte do que ganhavam para as obras assistenciais que o religioso mantinha em São Leopoldo, perto da capital gaúcha.

Um dos exemplos dos milagres do Padre Reus era contado por um dos principais atletas gremistas daquela época, o meio-campista Sérgio Lopes. Ele dirigia o seu carro, levando a família junto, por uma estrada sem sinalização, entre Caxias do Sul e Porto Alegre, quando o colidiu com cavaletes de sinalização. O choque fez-lhe perder o controle do veículo, que bateu, violentamente, contra o acostamento da rodovia, ficando completamente destruído. “Graças” ao Padre Reus, segundo o jogador, ninguém sofreu nenhum arranhão.

Por causas deste e de outros milagres (dentro e fora do campo), jogadores, torcedores e diretores gremistas passaram a colocar miniaturas de bonecos do “milagreiro” dentro de seus automóveis. Nas terças-feiras, dia de pesagem dos atletas e do recebimento das gratificações (quando venciam), ao colocarem as mãos na grana, os jogadores diziam: “Que o Padre Reus não esqueça mais do Grêmio”. E cada um entregava NCr 50 novos cruzeiros (moeda da época) a Carlos Froner, o tesoureiro do “santo homem”. Depois, havia uma prece para que tudo aquilo fosse repetido após a próxima rodada.

Froner já levara aquela mesma devoção para os jogadores do Internacional, do Cruzeiro, de Porto Alegre, e do Juventude, de Caxias do Sul, quando passara por lá. Dizia que devia muito do seu sucesso ao Padre Reus. Que só não ajudou a um dos seus discípulos, Luiz Felipe Scolari, o Felipão, no dia em que a Seleção Brasileira levou 7 x 1 da Alemanha, durante a Copa do Mundo-1914.








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