Siga o Jornal de Brasília

Histórias da Bola

O herói Bob

Publicado

em

A menininha sapeca, de oito de idade, brincava, correndo pra cá e pra lá, em uma das ruas da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. De repente, caiu dentro de um buraco profundo e começou a gritar. Nesses momentos, aparece gente de todos os lados, mas ninguém se atreve a ir ao fundo do poço.

Naquele dia, no entanto, a quase tragédia virou história em quadrinhos. Um rapaz forte, que vinha passando, ao saber do ocorrido, tirou o elegante terno que vestia e foi ao fundo do poço salvar a garota. Conseguiu e, depois, jogaram-lhe uma corda para ele também ser salvo. Aplaudido pelo grande número de pessoas que não fazia nada do lado de fora do buraco, o rapaz só disse: “Acho que fiz uma boa ação”. Em seguida, foi embora e nunca mais viu a criança.

O herói desta história foi um um atleta da defesa do Botafogo, o então médio Bob, mais precisamente Robert James Neil, filho de um escocês que o chamava por Bob, razão de os coleguinhas de escola aproveitarem o apelido e chama-lo por Bobo. Mas ele nem ligava, sabia ser muito ativo. E a onda logo passou.

Nascido no 19 de outubro de 1928, na Ilha do Governador, Bob começou a rolar a bola pelo time do Engenhoca. Depois, passou para o Cocotá. Jogava muito nas peladas da ilha. Tanto que foi parar em General Severiano, treinando com a rapaziada do Botafogo. Era 1946 e o treinador alvinegro Togo Renan Soares, o Kanela, que tornou-se um mito como técnico de basquetebol. Aprovado nos testes, Bob foi inscrito como juvenil.

Antes de ser futebolista botafoguense, Bob foi basquetebolista do América, por quatro temporadas, chegando a ser campeão carioca nas categorias juvenil e aspirante. Convocado para a seleção estadual, não emplacou, pois teve problema de saúde, exatamente, na oportunidade, e não se apresentou para os treinamentos. Aborrecido com a pouca sorte, decidiu abandonar o basquetebol.

Bob esteve juvenil alvinegro entre 1946/47, tendo nesta última temporada subido aos aspirantes. Ao chegar ao time principal do Botafogo, as equipes brasileiras usavam a marcação por zona e a diagonal. Ele preferia a segunda, por ter menos trabalho na maração.

Fã de Batatais, Domingos da Guia, Martim, Patesko, Pascoal, Nílton Santos, Zizinho, Danilo Alvim, Garrincha e Didi, ele, porém, nunca tentou imitar nenhum deles. Preferia jogar a sua bola, que não o levou a um selecionado brasileiro. Mas permitiu-lhe ser capitão do time botafoguense em jogos de uma excursão à Europa. Usar aquela braçadeira, no Botafogo, por aqueles tempos, era coisa pra herói. Só tinha fera – em 1956, o treinador Zezé Moreira escalava, normalmente: Amauri, Tomé e Nilton Santos; Orlando, Bob e Pampolini; Garrincha, Didi, Alarcon, Mário e Rodrigues.


Você pode gostar
Publicidade