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Histórias da Bola

O Fla-Flu que valia vice

No futebol brasileiro, vice-campeão e último colocado são a mesma coisa. Decidir titulo e não carregar a taça é uma tragédia. Mas não é que os cartolas cariocas já fizeram isso?

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Mas não é que os cartolas cariocas já fizeram isso? Em 1953, armaram um campeonato estadual, de três turnos, mas com  a brasa só ardendo mesmo a partir da segunda etapa, que classificaria seis times para um turno final. Nessa dita cuja, sairia o vice-campeão da temporada, representado por quem pontuasse mais.

Para a revista semanal carioca O Cruzeiro, haveria um primeiro turno desinteressante, “falta de bom senso dos organizadores”, pois a etapa só serviria “para esgotar os atletas” convocados para os treinos das Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo-1954. 

Regulamento complicado: o campeão do returno, sendo o vice, disputaria uma melhor de três com o campeão do “sextagonal”. Ainda bem que o Flamengo montado pelo presidente Gilberto Cardoso e com rapaziada entregue ao treinador paraguaio Fleitas Solich impediu que a maluquice entrasse para a história, vencendo os dois turnos finais.

A derradeira rodada do segundo turno seria no dia 6 de dezembro, com o Fluminense indo a campo com sete e o Flamengo oito pontos perdidos (critério da época). A semanária O Cruzeiro estampou em manchete: “Um Fla-Flu que valeu título” – Flamengo, 2 x 1 – abaixo, em caixa alta, na matéria do jogo, em sua edição de 19 de dezembro e que valeu três páginas escritas pelo repórter Mário de Moraes, ilustradas por fotos de Indalécio Wanderley e de Luciano Carneiro.

Quis o destino que o Fla-Flu que valia vice-campeonato fosse um dos mais emocionantes, desde que os dois clubes começaram a se pegar, em 1912. Muito mais por conta da subida de produção dos rubro-negros, que haviam sido um vexame na etapa inicial, perdendo do mesmo Flu e do Botafogo, e empatando com Vasco da Gama, e até com o São Cristóvão. No returno, no entanto, saíram vencendo geral. Só pararam nos empates com Vasco e Botafogo.

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Com tantas vitórias – quatro goleando Bangu (7 x 2), Portuguesa e Madureira (ambas por 5 x 0) e São Cristóvão (4 x 0) -, a torcida flamenguista fez do Campeonato Carioca-1953 o de maior público – 2. 456.678 – desde a inauguração do Maracanã, em 1950, o que só foi superado, em 1976, com mais de três milhões de pagantes. O Fla-Flu que valia vice teve  122.434 presentes, dos quais 101. 217 compraram ingressos. Púbico maior só em dois jogos contra o Vasco da Gama – 20.09.1953 (3 x 3), com 122.786 presentes e 1000.222 pagantes e 10.01.1954 (disputas estavam atrasadas), com Fla (4 x 1) ficando campeão a uma rodada do final, diante de 132.508 desportistas, dos quais 121.007 pagaram pra ver.

Como o Fla x Flu do turno pouco valia, a não ser o orgulho de não perder do rival (Flu 3 x 2), o público foi de 116.266, com 103.132 pagantes. No turno final (Fla 2 x 1), de 96.064 com as carteiradas e de 84.209 na pagança.

O surpreendente Fla-Flu em que o Fla saiu vice e, pouco depois, unificaria os títulos, teve arbitragem por Mario Vianna e vitória flamenguista (2 x 1) de virada, com Marinho marcando para os tricolores, e Índio e Rubens para os rubro-negros, que foram: Garcia, Marinho e Pavão; Servílio, Dequinha e Jordan; Joel, Rubens, Índio, Benitez e Esquedinha. O Fluminense teve: Veludo, Píndaro e Pinheiro; Jair, Édon e Bgode; Telê, Didi, Marinho, Ivo e Quincas. Era a 16ª vez, naquele Estadual – total e 21 vitórias -, em que o presidente Gilberto Cardoso recebia tapinhas nas costas mandados pelos mesmos cartolas que o pressionvam para demitir Fleitas Solich, durante o turno inicial, quando o araguaio ainda não havia acertado a equipe.


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