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Marão dos Pampas

Dormiu na cama do Falcão e alçou o voo do sucesso

Por Gustavo Mariani 29/03/2021 1h06

Mário Sérgio estava esquecido pelo torcedor brasileiro, no argentino Rosário Central, de Rosário. De repente, o maior ídolo da torcida colorada, Paulo Roberto Falcão, sugeriu a contratação dele. Bolão! Na rede!

Mário Sérgio, que já havia passado por Flamengo (1969/1971); Vitória-BA (1971/1975); Fluminense (1975/1976) e Botafogo (1976/1979) chegou para o treinador Paulinho de Almeida, que já o havia treinado na Bahia, como uma luva. “Se já era bom, o reencontrei amadurecido, completo, um modelo de futebolista moderno”, disse o treinador à revista Placar – Nº 594, de 07.11.1980.

Realmente! Estava assim, o Marão, como os baianos o chamavam, aos 30 de idade.

Era 18 de novembro de 1980 e, no dia seguinte, o Colorado pegaria o rivalão Grêmio pela frente. Ao chegar à concentração do Beira-Rio, exibindo ares de baiano supersticiozão, Mário Sérgio olhou para a cama em que Falcão dormia e saiu com esta (só poderia ter sido para o colchão), batendo uma das mãos no lençol: “É por aqui que vou dormir, hoje. Pode me dar sorte”.

Não precisava! Mário Sérgio driblava, lançava, cadenciava o jogo, corria por todo o gramado. Fez o rival, rápido, ver que, se quisesse levar a melhor sobre o Inter, impreterivelmente, teria de parar o camisa 11 alvirrubro.

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Paulo Roberto Falcão já fazia a alegria da Assoziacione Sportiva Roma, desde 30 de agosto, quando estreara, em amistoso, com o Internacional, no romano Estádio Olímpico, terminado pelos 2 x 2. Chegara para se tornar o “Rei de Roma”, sem jamais ser esquecido pela torcida que o vira brilhar, intensamente, em 1979, durante a conquista do único título invicto de um Brasileirão.

No dia seguinte, ao Gre-Nal, a Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, colocou o Marão em linha telefônica, com o Falcão, e ele brincou:” Cara! O caboclo Falcão baixou em mim e joguei o que sei e não sei”.

Apontado, unanimemente, por toda a imprensa que cobrira a partida – e pela torcida colorada – como o cara da vitória que valera o título do returno gaúcho ao Inter, o atacante chegou a ser comparado como o Falcão estivera do Inter-1979.

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Como fazer para segurar aquele sujeito? Se indagavam os gremistas, considerando-o responsável por 50% da força criativa do rival. Paulinho de Almeida, de há muito, sacara que o seu antigo (e, novamente, pupilo) conhecido era o seu ponto de desequilíbrio. Barbaridade, tchê!

No futebol gaúcho, Mário Sérgio desenvolveu o sentido coletivo do jogo e tornou-se, taticamente, até maios importante do que um outro monstro sagrado colorado, o apoiador Batista. Para os adversários, era perigoso até bem marcado. Carioca malandro, o Marão ouvia tudo e brincava: “ Não precisa puxar tanto o meu saco. Não estou com esta bola toda!” – estava. Pelo Inter, foi campeão brasileiro-1979 e gaúcho-1981 e 1984. Jogou tanto que, em 1983, o Grêmio precisou dele, para ganhar o Mundial Interclubes.

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