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Lances do Rei da bola

As estrepolias que um brasileirinho aprontou no gramados

Por Gustavo Mariani 10/10/2021 1h30
Imagem: Reprodução/Instagram

1 – Imaginada pelo general Júlio Argentino Roca, que governou o país vizinho, de 1880 a 1886, e de 1898 a 1904, a Copa Roca vinha sendo disputada por Brasil e Argentina desde 1914, ano em que ficou por aqui – e, depois, em 1922 e em 1945.

Considerado por uns como pai do moderno estado argentino, e por outros um caudilho sanguinários, que teria promovido um genocídio de índios mapuche, para atingir os seus objetivos políticos, o general Roca foi o primeiro a ver a força do futebol no Cone Sul. E tratou de remetê-lo aos dividendos eleitorais, especialidade dos ditadores dos dois países na década-1970.

Bola no lugar de política, é preciso passar, antes, pelo Torneio Morumbi, para “generalar” o que este texto pretende. Pois bem! Vasco da Gama e Santos se uniram em um combinado para disputar a competição que incluía, ainda, Flamengo, São Paulo, Sporting, de Portugal, e Dínamo, de Zagreb, da antiga Iugoslávia. Então, um garoto, de 16 anos, que começava a surgir no time santista, foi incluído na equipe. Ele já havia jogado em duas ocasiões, no Maracanã, contra o Flamengo e o América, mas a imprensa carioca nem sabia direito do seu nome, isto é, apelido: Pelé ou Pelê? Os ouvidos estavam mais acostumados a ouvir Telê, nome de jogador do Fluminense.

Enfim, rolou a bola pelo torneio internacional e o garoto de apelido confuso encantou o treinador da Seleção Brasileira, Sílvio Pirillo. Chegado o momento de convocar o time canarinho para enfrentar os “hermanos”, em mais uma edição da Copa Roca, a torcida brasileira foi surpreendida, com a inclusão daquele menino de 16 anos. Poucos o conheciam. O ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos, João Havelange, diz que foi ele quem mandou convocar. Mas o certo é Pirillo esteve no Maracanã vendo-o jogar, viu, gostou e apostou.

Em 7 de julho de 1957, estava o menino Pelé no banco dos reservas da Seleção Brasileira. No Maracanã, 60 mil pagantes assistiam aos argentinos cozinharem todo o primeiro tempo, com um gol marcado por Labruna aos 14 minutos. Para mudar a situação, Pirillo chamou o garoto Pelé, para entrar no segundo tempo. Ele ocupou a vaga de Del Vecchio, que era seu colega no Santos, e empatou a partida, aos 77 minutos. Pena que, um minuto depois, Juárez tenha desempatado para os argentinos, que venceram, por 2 x 1.

Na estreia do Pelé canarinho, o juiz foi o austríaco Erwin Hieger. A Seleção Brasileira teve: Gilmar (Santos), Paulinho de Almeida (Vasco) e Bellini (Vasco/capitão); Jadir (Flamengo), Oreco (Corinthians) e Zito (Santos)/Urubatão (Santos); Maurinho (São Paulo), Luisinho (Corinthians), Mazzola (Palmeiras)/Moacir (Flamengo), Del Vecchio (Santos)/Pelé (Santos) e Tite (Santos). Os argentinos foram escalados pelo técnico Guilermo Stáile com Carrizo; Pizarro, Vairo, Gianserra, Néstor Rossi (Guidi), Urriolabeitia, Corbatta, Herrera (Antonio), Juárez (Blanco), Labruna e Moyano.

2 – Em 1976, os Estados Unidos comemoravam o bicentenário da sua independência. Entre as programações, rolou um torneio de futebol reunindo as seleções brasileira, inglesa, italiana e a do país. Como os norte-americanos ainda não tinham um futebol – eles chamam de soccer – desenvolvido, formaram uma equipe dentro da Norte-Americana Soccer Legue (NASL), com a participação de atletas de 12 países e que estavam em atividade em seus estádios.

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Com sua “legião estrangeira”, o Tio Sam fez o italiano Chinaglia e o inglês Bobby Moore enfrentaram as seleções de seus respectivos países, formando na equipe que foi chamada de American All-Stars. De sua parte, Pelé recusou-se a enfrentar a camisa canarinha que o consagrara como “Rei do Futebol”, no jogo vencido pelos compatriotas, em 28 de maio, por 2 x 0. O “Soccer Team” de Pelé, estreou goleado, pela Itália, por 4 x 0, em 23 de maio daquele 1976. Oito dias depois, caiu ante a Inglaterra, por 3 x 1. Enquanto isso, o jogo contra o Brasil nem entra na relação da Confederação Brasileira de Futebol.

3 – Depois que Pelé tornou-se o “Rei do Futebol”, os dirigentes do seu clube, o Santos, sempre tiraram o máximo do que ele poderia render. Assim foi que o “Camisa 10” rodou o planeta, em excursões “caça dólares”, com pouco tempo de descanso entre um jogo e outro.

Em 24 de maio de 1959, Pelé viveu uma jornada dupla de futebol. Enfrentou a seleção principal da Bulgária, marcando um dos gols da vitória santista, por 2 x 0, após ter enfrentado a equipe B daquele país, na véspera, quando deixou duas bolas nas redes, durante o empate, por 3 x 3. Nesses dois compromissos, o “Atleta do Século” atingiu 178 partidas, desde que chegara ao time A do Peixe, tendo nelas estabelecido a marca de 194 tentos.

Em um outro 24 de maio, Pelé completou “um time de pelejas (11)” contra equipes, defendendo a Seleção Brasileira. Aconteceu durante os 3 x 0 sobre o mexicano Irapuato, quando não marcou gols, em amistoso preparativo para a estreia canarinha na Copa do Mundo de 1970, no México, época em que o Brasil ficou o tri.

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Os jogos anteriores do “Rei”, pelo selecionado nacional, diante de times, haviam sido: 08.05.1960 – Brasil 7 x 1 Malmoe-SUE (2 gols); 12.05.1960 – Brasil 2 x 1 Internazionale-ITA (2); 15.05.1960 – Brasil 5 x 0 Sporting-POR; 21.06.1966 – Brasil 5 x 3 Atlético Madrid-EsP (3); 04.07.1966 – Brasil 4 x 2 AIK-SUE (2); 06.07.1966 – Brasil 3 x 1 Malmoe-SUE (2); 13.11.1968 – Brasil 2 x 1 Coritiba-PR; 01.08.1969 – Brasil 2 x 0 Millonarios-COL; 03.09.1969 – Brasil 1 x 2 Atlético-MG; 14.03.1970 – Brasil 1 x 1 Bangu








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