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Guerra alvinegra

Botafogo e Atlético-MG brigam e terminam rolo decidindo no cara ou coroa

Por Gustavo Mariani 12/05/2021 2h12

Aconteceu quando Botafogo e Atlético Mineiro decidiam vaga às semifinais da Taça Brasil-1967. O primeiro jogo – 11.10 – no Maracanã, apitado pelo mineiro Joaquim Gonçalves, foi tranquilo e os alvinegros cariocas, com gols por Rogério, Roberto e Paulo César venceram, por 3 x 2, diante de 11.601 pagantes, público considerado pequeno.

Sempre favorito, dono de um dos times mais fortes do país – Manga; Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Nei e Gérson; Rogério, Airton (Ferreti), Roberto e Paulo César Lima (escalação da partida acima), treinados por Mário Jorge Lobo Zagallo – o Botafogo caiu, durante o segundo duelo – 01.11 -, por 0 x 1 Atlético-MG, que motivou 71.174 torcedores incentivá-lo, no Mineirão, onde seu gol foi marcado, de pênalti, por Ronaldo.

Foi naquela partida que o bicho pegou. O Botafogo acusou o atacante atleticano Bianchini de ter atingido, “criminosamente”, o seu apoiador Carros Roberto, aos 16 minutos, durante bola dividida, perto do meio do campo, sem ser advertido pelo árbitro carioca Frederico Lopes. Enquanto isso, o outro saía de campo carregado, sem conseguir andar.

A partir dali o jogo virou guerra. Os cariocas denunciaram que seu lateral Moreira (foto) perdera um dente e tivera outros abalados por cotovelada do atleticano Tião (futuro) Cavcadinha, e que PC Lima levara uma cabeçada, de Vanderlei. E que o único expulso de campo durante as escaramuças fora seu atacante Aírton Beleza, por reclamar de porrada levada por Paulo César.

Com uma vitória para cada time, deveria rolar jogo desempate, 48 horas depois, no Mineirão. O Botafogo, porém, alegou falta de segurança e clima para novo confronto, em curto espaço de tempo, em Belo Horizonte. Voltou ao Rio de Janeiro e pediu campo neutro à Confederação Brasileira de Desportos-CBD (atual CBF), que manteve BH como local da terceira partida.

A decisão da vaga foi na tarde do feriado do 15 de novembro, antecedida por atitudes inamistosas da torcida atleticana, atirando ovos contra o ônibus da delegação visitante, na chegada ao hotel, e proferindo xingamentos. No gramado, até que as coisas foram mais tranquilas. Em 90 minutos, 0 x 0, controlados pelo árbitro Armando Marques, diante de 71.997 pagantes.

Era preciso uma prorrogação, de 30 minutos. O Galo fez 1 x 0, por Ronaldo, aos 18 minutos, e Gérson, capitão botafoguense, empatou, aos 27, de pênalti, por bola na mão do capitão atleticano Décio Teixeira: 1 x 1. Incrível! A decisão da vaga foi para o cara ou coroa – feita por Geraldo Starling Soares, na presença do árbitro e dos dois capitães, apenas.

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Hora de escolher. Teixeira, que já havia perdido duas vezes, antes, pelo critério, decidiu continuar apostando na cara da moeda usada naquele tipo de jogo. Daquela vez, abriu a cara e sorriu, comemorando a vitória que foi para: Hélio; Canindé, Grapete, Vânder e Décio Teixeira; Adilson e Vanderlei; Buião, Laci, Ronaldo e Tião, comandados por Fleitas Solich. E a guerra alvinegra terminou com o Botafogo eliminado no cara ou coroa.






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