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Histórias da Bola

Gama raiado

Raio cai oito vezes na rede gamense, que marcou metade destes gols em dois confrontos com o Timão

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Dizem que um raio não cai no mesmo local duas por vezes. Isso, no entanto, não vale para o Gama. Seu time já levou duas traulitadas do Corinthians, pelos mesmos 4 x 2 e pelo mesmo Campeonato Brasileiro da Série A.

Da primeira vez, em 25 de julho de 1999, o Periquitão tinha tudo para ter um domingo mais do que glorioso, na elite do futebol canarinho, com casa cheia, muita festa e até gatinhas usando biquinininhos pintados de verde, desfilando pelo gramado, antes da pugna, é claro; a segunda escorregada foi no 5 de agosto de 2.000, novamente, em uma tarde calorenta de domingo.

 No último julhão da última temporada noventista, o lance rolou no velho Mané Garrincha, diante de 23.720 almas pagantes (oficiais). Provavelmente, mais de 30 mil, pois o estádio estava lotado.

O Gama chegou a abrir 2 x 0 de vantagem, no primeiro tempo, incendiando a maior torcida do Distrito Federal. Ao s 15 minutos, o lateral-direito Marcinho atacou e foi derrubado dentro da área, por Nenê. Pênalti aproveitado por Alexandre Gaúcho para abrir o placar. Os 22, o mesmo Alexandre dominou a bola de costas para a zaga, girou o corpo para a direita, viu Romualdo penetrando, livre, pela esquerda, e fez o passe na medida para o ponta-direita escrever 2 x 0.

Aos 27, Lindomar teve a chance de fazer o terceiro, e o desdobrar do lance gerou três escanteios sucessivos. Como dizem que a bola pune, aos 32, veio o castigo. Em jogada infantil, Cléber Lima deixou a bola para o goleiro Alexandre, que a deixou para o Lima. Na indecisão, o corintiano Luizão encaçapou. Aos 47, em nova falha gamense, Marcelinho cruzou bola para a área alviverde, o goleiro Alexandre voltou a falhar, a bola sobrou para Luizão e este deixou a primeira etapa nos 2 x 2.

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No segundo tempo, aos 10, um chute de Lindomar foi desviado, nitidamente, pelo zagueiro Márcio, mas o juiz Jorge dos Santos Travassos-RJ nada marcou. Depois do lance, o Gama, inexplicavelmente, deixou o Timão parar de administrar empate e crescer na partida, com muita liberdade para atacar pelas esquerda. Assim os 32, Marcelinho puxou a defesa candango para o meio de sua área, viu Luizão chegando, pela esquerda, o serviu e este o agradeceu pelo seu terceiro tento e a virada de placar. Aos 35, Marcelinho fez jogada semelhante, pela direita, lançou Dinei, que descobriu Luizão livre e gritou: “Faaaazzz!” – Corinthians 4 x 2.           

O Gama, montado por Jair Picerni, teve: Alexandre; Marcinho, Gérson (Adriano), Nem e Cléber Lima; Deda (Maninho), Kabila, Lindomar e Alexandre Gaúcho; Romualdo e Mainho Loyola (Robertinho Pitbull).

No 5 de agosto de 2000, o jogo foi no Estádio Oswaldo Teixeira Duarte, o chamado Canindé, em São Paulo, assistido por 5. 810 pagantes. Valeu pela primeira fase do Módulo Azul da Copa João Havelange, o Brasileirão da temporada, com arbitragem pelo gaúcho Leonardo Gaciba da Silva.     

Como no primeiro vexame, neste segundo a maldição dos goleiros voltou a atacar o Periquito. Fernando entregou, literalmente. Aos quatro minutos, Ewerton cabeceou bola e o goleiro gamense deixou-a passar por entre as suas pernas. Uma avestruz! 

Claro que o gol abateu a rapaziada alviverde. Mas a turma se segurou e só levou o segundo gol aos 36, marcado por Ricardinho. Veio a segunda etapa e o Periquitão diminuiu, aos oito, cobrando pênalti. Tentou empatar, mas bobeou, aos 23, e João Carlos jogou um balde de água fria em cima dos suados visitantes. O Gama não jogou a toalha. Aos 25, Sílvio voltou a diminuir a vantagem, mas, aos 29, novamente Ewerthon marcou e fim de papo: Gama 2 x 4, treinado por Vagner Benazzi e formado por: Fernando: Paulo Henrique, Gérson, Jairo e Rochinha;  Sérgio Soares, Robson (Betinho), Lindomar (Rodriguinho) e William; Romualdo e Sílvio.     

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DETALHE: o meia Betinho (Gilberto Carlos do Nascimento) havia passado por Cruzeiro, Palmeiras e Internacional-RS, e disputado um jogo (Brasil 2 x 1 Bélgica, em 1988) pela Seleção Brasileira, quando chegou ao Gama, já veterano e em curva decadente, aos 34 de idade. De sua parte, Sílvio (César Ferreira da Costa), centroavante, aos 30, havia passado por 12 clubes. Revelado pelo Fluminense, cresceu no Bragantino-SP e chegou ao escrete nacional para disputar duas partidas (Brasil 3 x 1 Equador e 2 x 3 Argentina, ambas em 1991). Pela seleção olímpica, fez quatro jogos ( 0 x 1 Argentina; 2 x 1 Peru; 0 x 2 Colômbia e 1 x 1 Venezuela, todas de 1992). 


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