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Histórias da Bola

Gama explode coração

Time alviverde quase mata torcida pelas coronárias vencendo na última bola do jogo

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Quem nasceu filho de pai torcedor gamense, no 10 do 10 de 1999, com certeza, nasceu sob o signo da emoção. História mais do que emocionante. Vamos lá!

O time do Gama, treinado pelo gaúcho Otacílio Gonçalves, estava se especializando em levar gols pelos finais de partidas. Rolava o Campeonato Brasileiro e os jogos do Periquito, no velho Mané Garrincha, motivavam bom público a comparecer à casa, embora, de vez em sempre, povão e renda não fossem divulgados, como naquele dia.

Se vencesse três pugnas, a rapaziada seguiria na Série A da competição. Veio, então, o Sport Recife encarar os gamenses, que somavam 18 e precisavam totalizar 26 pontos pra ficar na elite no futebol canarinho. Parecia que iria rolar.

Aos 21 minutos, o apoiador Deda, que raspava a cabeça e exibia uma careca brilhante (pelo menos ao sol), livrou-se da bola, com  um chutão pra frente. A “gorduchinha” queria sair de campo, quando um zagueiro do Leão da Ilha – Wilson Gottardo – escorregou. Sorte do atacante e Sorato, que apanhou a danadinha e fez cruzamento para Juari, que vinha da esquerda. Este recebeu a mensagem e rasgou a carta na rede: Gama 1 x 0, placar do primeiro tempo.

As emoções de rachar coração recomeçaram a 1m30s da segunda etapa. Deda cometeu falta, pela esquerda da intermediária, a sua defensiva deixou Juninho Petrolina desmarcado e este usou a cabeça nem só para o sol esquenta-la: 1 x 1.

Não seria pra menos. Tanto Gama quanto torcedores ficaram tontos pelo assucedido, como disseram os nordestinos, após a refrega. Ainda bem que foram só “seven minutes” de praga rolando. Aos 8, o capitão Lindomar bateu escanteio, da direita, e o zagueiro Nen também usou a cuca legal: Gama 2 x 1.

Estava bom demais. Realmente, estava. Até o Gama começar  a errar passes demais e ver os rubro-negros pernambucanos ganhando o meio-de-campo. E foi, exatamente, por ali, que o Periquito caiu do galho. Perdeu bola pela meiuca e, por um contra-ataque, Leonardo ficou olhos nos olhos com o goleiro Marcelo Cruz. Sem conversa, pimbou no filó: 2 x 2.

Aguenta coração! Otacílio Gonçalves, no entanto, não estava a fim de ver o dele explodir. Trocou Lindomar, que não era marcador, por Beto, e o cansado Juari, por Mazinho Loyola, cearense dono de um sotaque arretado.

Troca-troca feito, o Sport passou a jogar em cima das pisadas do anfitrião e criou muitos perigos nos ataque, pois encontrava marcação frouxa. Em um deles, Leonardo voltou a ficar cara a cara com o goleiro Marcelo Cruz, mas, daquela vez, poupou as coronárias de muitos torcedores candangos, mandando a pelota pra Lua.        

A partida chegava ao final e o Gama mostrava-se, visivelmente, cansado e satisfeito com o empate. Aos 47 minutos, na última bola do jogo, em contra-ataque, o centroavante Finazzi levou dois marcadores com ele e lançou Mazinho Loyola, que penetrava livre, pela direita. O cearense explodiu uma a bomba, sem chances de defesa: Gama 3 x 2 e, logo depois, o apito final e a rapaziada alviverde se abraçando e agradecendo ao Homem Lá de Cima pelo milagre.   

O Gama – Marcelo Cruz; Paulo Henrique, Nem, Jairo e Rochinha; Deda, Caçapa e Lindomar (Beto); Romualdo, Sorato (Finazzi) e Juari (Mazinho Loyola – não matou nenhum torcedor do coração, mas bateu na trave, naquele quesito.

Treinado por Givanildo Oliveira, o Sport foi: Albérico; Saulo, Márcio, Gottardo e Juninho Rodrigues; Emerson, Sangaletti, Nildo (Chiquinho) e Wallace; Leandro (Juninho Petrolina) e Leonardo. 


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