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Histórias da Bola

Massagista Santana arma visita de Dinamite à casa de Mãe Menininha

Willian Matos

Publicado

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Roberto Dinamite não aconteceu com a camisa do espanhol Barcelona. O Vasco da Gama o repatriou e ele voltou com a obrigação de repetir todo o seu recente passado na Colina, se não quisesse ficar queimado junto à torcida que o fizera de seu maior ídolo.

E tudo saiu como deveria acontecer. Em 4 de maio de 1980, ele marcou os cinco gols de Vasco 5 x 2 Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, no Maracanã, diante de 107.474 almas. Para a sua mulher, Jurema, era algo que merecia uma visita à Mãe Menininha do Gantuá (Gantois, em francês), em Salvador, para pedir proteção.

E, já que o Vasco teria jogo, contra o Vitória, na Fonte Nova, três dias depois, o massagista Pai Santana (macumbeiro do Vasco) ficou incumbido de armar o encontro do artilheiro com a mãe de santo – e armou.

Emblemático massagista do Vasco da Gama, Pai Santana viveu até 2011. Foto: Reprodução

Jurema, Roberto e Santana adentraram a casa branca do alto de uma colina e a Mãe Menininha pediu a todos os presentes para saírem. Pelas próximas duas horas ficou só com as visitas vascaínas. À saída, o Dinamite foi ao quarto de Oxossi, ajoelhou-se e tocou a cabeça, por três vezes, ao chão. Em seguida, beijou uma das mãos da anfitriã e, depois,  foi embora.

À porta da casa de Mãe Menininha, o goleador brincou com Santana, simulando chutar uma bola e comemorar um gol. E disse que seria aquilo que faria logo mais à noite. E deixou o Gantuá cantando um samba-enredo da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel: “Ó Minha Mãe/Minha Mãe Menininha/Ó Minha Mãe/ Menininha do Gantuá…

Além de visitar a mãe de santo mais famosa da Bahia, o Dinamite foi, com Santana, à igreja do Senhor do Bonfim, o padroeiro dos baianos, e prometeu ao santo ofertar-lhe uma camisa, da próxima vez que aparecesse por lá.

À noite, quando o árbitro gaúcho Luiz Zetterman Torres apitou bola rolado, só 8.295 pagantes estavam no estádio. Quem não foi, perdeu de ver o Dinamite explodir em terreiro baiano, marcando três gols de Vasco 5 x 0 Vitória – aos 38 e aos 41 minutos do primeiro tempo, e aos 37 do segundo, tendo por parceiros: Mazaropi; Orlando ‘Lelé’, Juan (Ivã) Léo e Paulo César; Carlos Alberto Pintinho, Jorge Mendonça e Guina; Catinha e Wuilsinho (Peribaldo), sob o comando do “titio” Orlando Fantoni.    


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