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Histórias da Bola

CR CAMISAS 9 E 10

Era a tarde do domingo 22 de julho de 1973, quando o treinador Mário Travaglini mandou a sua rapziada – Andrada, Paulo César, Moisés, Renê, Alfinete, Zanatta, Alcir, Gaúcho (Dé), Luís Fumanchu (Buglê), Roberto Dinamite e Luís Carlos Lemos – dar um pau no Flamengo. Valeria pelo segundo turno do Campeonato Carioca e seria jogo 2.714 da história do “Almirante”, com 79. 219 almas esperando pela rolagem da “maricota” pelo relvado do Maracanã.

Naquele clássico, o Vasco da Gama teve na escalação dois atletas chamados Carlos Roberto, algo incomum no futebol brasileiro, que era repleto de Zé Carlos, Joãozinhos, Zezinhos, Pedrinhos, por aí. Um dos “CR” era apelidado por Dinamite e o outro por Gaúcho, usando as camisas 9 e 10.

Se você acha que o Carlos Roberto “Dinamite” de Oliveira era o jaqueta 10, com a qual marcou a maioria dos seus 708 gols e tornou-se o maior artilheiro da “Turma da Colina”, enganou-se. Ele era o 9 e o Carlos Roberto Orrigo Cunha, o Gaúcho, o 10. Explica-se: o 10 era Tostão, que não disputou o clássico. Só depois de este sair do Vasco a camisa 10 foi herdada pelo mairo de todos os ídolos da torcida vascaína.

Além de ter substituído Tostão, o então garoto Gaúcho, aos 19 de idade, marcou o gol da vitória, por 2 x 1 – o outro foi de Carlos Alberto Zanatta, depois expulso de campo, pelo árbitro Romualdo Arppi Filho – e disputou outras partidas fazendo o papel de ponta-de-lança, quando ele era jogador de meio-de-campo.

Os dois Carlos Roberto viveram vidas bem distintas em São Januário. Nascido, em Porto Alegre, no 03.03.1953, Gaúcho só comemorou quatro títulos sendo atleta – Taças Guanabara-1976/1977; Campeonatos Carioca-1977 e Brasileiro-1974 -, enquanto o Dinamite colecionou 30, além de mais 7 pela Seleção Brasileira.

Fora dos gramados, o Dinamite, nascido em Duque de Caxias-RJ, em 13 de abril de 1954, carregou três canecos enquanto presidiu o Vasco (2008 a 2014) – Brasileiro Série B-2009; Copa do Brasil-2011 e Copa Hora-SC-2010 -, cabendo ao Gaúcho treinador levar para São Januário dois títulos – Torneios João Havelange-1993; Octávio Pinto Guimarães-2009 (sub-20).

Os dois tiveram, igualmente, vida longa vascaína. O Dinamite chegou à Colina em 1971, e ficou até 1979, quando foi para o espanhol do Barcelona. Voltou em 1980 e “ressaiu”, em 1989, para defender a Portuguesa de Desportos, da qual regressou para a Colina, em 1990. Em 1991, mais uma saída, para o Campo Grande-RJ, com retorno ao Vasco pelo mesma temporada e ficagem até 1993, o seu final de carreira. De sua parte, Gaúcho desembarcou em São Januário em 1965 e saiu, em 1979, para defender o Botafogo.

Além de treinar o time junior do Vasco, entre 1991 a 1993, e em 2009, Gaúcho esteve por por duas vezes, interinamente, comandando a rapaziada do time A, em 1993 e em 2009, e por quatro oportunidades sendo o comandante: 2010, 2012 e 2016. Em 21 de março de 2013, quando Carlos Roberto “Dinamite” de Oliverira era o presidente, ele foi demitido, mas pelo diretor executivo Renê Simões, após três derrrotas consecutivas, para “pequenos”, no Estadual. E nunca mais esteve vascaíno. Bem como o xará.

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