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Histórias da Bola

Computador burro

Tecnologia tira coroa de Rei

Gustavo Mariani

Publicado

em

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Um chamado “cérebro eletrônico” da geração década-1960 não tem a capacidade de um “compiurer” fabricado agora, cinco décadas depois, certo? Mas, convocado pro jogo, não precisava chutar tanto pra fora.

Esta coluna está falando do Univac-1.005, que morava no prédio Nº 404 da Avenida Pasteur, no Rio de Janeiro. Bateu pênalti pra bandeirinha de escanteio.

Este rolo rolou quando um cérebro eletrônico então soviético calculou dados e fez a sua galera sorrir, vaticinando que do time que tinha CCCP nas camisas vermelhinhas levantaria a Taça Jules Rimet, ao final da Copa do Mundo-19665, na Inglaterra.

Para os brasileiros, que tinham por certo o tri do escrete canarinho, desconsiderando a bagunça que fora a preparação para tocar o pé na bola na terra dos Beatles (o Brasil ficou na sede de Liverpool), computador russo poderia ser bom para suas cabrochas, não para campeonato onde estivesse Pelé e Garrincha – principalmente! E foi , então, que convocaram o Univac-1.005 para dar as suas piruadas.

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Credenciais da hora não faltavam à inteligência artificial brazuca pra chegar junto. Ele era capaz de fazer 1.368.636 somas/subtrações; 240 mil multiplicações e 120 mil divisões, tudo isso por minuto, simultaneamente. Logo, era uma brasa, mora? (gíria da época).

Convocação feita, treinadores brasileiros juntaram placares de treinos, jogos-treinos e de amistosos da esculhambada fase em que foram convocados 46 jogadores e formados quatro times, sem nunca se definir nenhum, a não ser considerar titular o que tivesse Pelé, e os entregaram ao Univac-1.005.

Beleza! O compiurer deglutiu papos de 300 especialistas, deu uma sacada em todos os jogos dos sete Mundiais anteriores e deduziu que a seleção canarinha tinha 85% de chances de voltar com o caneco, sobrando 6% para os italianos, 4% nos pés dos anfitriões ingleses e o restante divididos entre argentinos, uruguaios e alemães.

Embora fosse tão otimista com a brazucada, o Univac-1.005 jogava com um pouco de incoerência cibernética, digamos. Afinal, mandava algumas porradinhas no treinador Vicente Feola, principalmente por ter ouvido Pelé dizer que gostaria de fazer dupla fatal com o botafoguense Jairzinho, e jamais testar a opção. Pior: ter dispensado o palmeirense Servílio, o parceiro do Rei mais testado, ao contrário dos pouco duplados (com Pelé) Silva (Flamengo), Tostão (Cruzeiro) e Alcindo (Grêmio-RS), que foram para a Copa.

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Enfim, no fim de papo, prevendo rendimento em todos os treinamentos, de acordo com dados computados, o Univac-1.005 previu que a dupla Pelé-Silva marcaria 16 gols; Pelé-Alcindo, 18; Pelé-Tostão, 13; Alcindo-Tostão, 18, e Alcindo-Silva, 26. Logo, Pelé deveria ser reserva. Mais: na Inglaterra, deveria jogar pela ponta – já deveria estar com tempo de validade vencido, pois o Brasil não passou da primeira fase, eliminado por 3 x 1 Hungria e Portugal. Detalhe: 3 x 1 fora o placar mais recorrente nas Copas anteriores.




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